Tubby e Lulu: Comportamento humano?

Postado em 3 dez, 2013 - Psicologia
Fonte: Google Imagens

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Este texto começou a ser pensado e rascunhado ao ler o texto Pessoas: use com moderação do William Hertz. No texto o que mas me chamou a atenção como psicóloga e por conseguinte estudiosa do comportamento humano foi:

Vale pensar, para os profissionais que buscam compreender comportamentos humano, de que forma podemos analisar os dados de forma mais crítica e menos fatalista, dando a oportunidade para que as pessoas sejam de fato humanas e participem como protagonistas das suas escolhas. Podemos imaginar que os números de downloads, likes, notas e hashtags tendem a crescer, visto que nosso país é o quarto país no mundo em número de smartphones, com 70 milhões de dispositivos. Em tempos de big data, infográficos e analytics, o poeta americano e Nobel de Literatura T. S. Eliot nunca foi tão atual: “Onde está o conhecimento que perdemos na informação?”.

Começo portanto, o meu texto com algumas citações do Zygmunt Bauman que resumem o dito comportamento humano em tempos de redes sociais, ou melhor em tempos de Tubby, Lulu e afins…

A vida líquida é uma vida precária, vivida em condições de incerteza constante.

A vida na sociedade líquido-moderna é uma versão perniciosa da dança das cadeiras, jogada para valer. O verdadeiro prêmio nessa competição é a garantia (temporária) de ser excluído das fileiras dos destruídos e evitar ser jogado no lixo.

Líquidos mudam de forma muito rapidamente, sob a menor pressão. Na verdade, são incapazes de manter a mesma forma por muito tempo. No atual estágio “líquido” da modernidade, os líquidos são deliberadamente impedidos de se solidificarem. A temperatura elevada — ou seja, o impulso de transgredir, de substituir, de acelerar a circulação de mercadorias rentáveis — não dá ao fluxo uma oportunidade de abrandar, nem o tempo necessário para condensar e solidificar-se em formas estáveis, com uma maior expectativa de vida.

Amor líquido é um amor “até segundo aviso”, o amor a partir do padrão dos bens de consumo: mantenha-os enquanto eles te trouxerem satisfação e os substitua por outros que prometem ainda mais satisfação. O amor com um espectro de eliminação imediata e, assim, também de ansiedade permanente, pairando acima dele. Na sua forma “líquida”, o amor tenta substituir a qualidade por quantidade — mas isso nunca pode ser feito, como seus praticantes mais cedo ou mais tarde acabam percebendo. É bom lembrar que o amor não é um “objeto encontrado”, mas um produto de um longo e muitas vezes difícil esforço e de boa vontade.

Os contatos online têm uma vantagem sobre os offline: são mais fáceis e menos arriscados — o que muita gente acha atraente. Eles tornam mais fácil se conectar e se desconectar. Casos as coisas fiquem “quentes” demais para o conforto, você pode simplesmente desligar, sem necessidade de explicações complexas, sem inventar desculpas, sem censuras ou culpa. Atrás do seu laptop ou iPhone, com fones no ouvido, você pode se cortar fora dos desconfortos do mundo offline. Mas não há almoços grátis, como diz um provérbio inglês: se você ganha algo, perde alguma coisa. Entre as coisas perdidas estão as habilidades necessárias para estabelecer relações de confiança, as para o que der vier, na saúde ou na tristeza, com outras pessoas. Relações cujos encantos você nunca conhecerá a menos que pratique. O problema é que, quanto mais você busca fugir dos inconvenientes da vida offline, maior será a tendência a se desconectar.

Nesta direção apontada por Bauman, vemos cada vez mais a vida offline ser deixada de lado. A vida passou a ser resolvida, ou assim pensam as pessoas, no mundo virtual a exemplo dos apps mais comentados da semana, o Lulu e o Tubby.

O Lulu criado exclusivamente para mulheres que têm o objetivo de compartilhar experiências positivas ou negativas a respeito dos homens, permitindo que as usuárias usem hashtags e deem notas para os pretendentes, ex-namorados e parceiros, dividindo informações com outras mulheres por meio dos perfis sociais. O Tubby que pretende ser tipo um Lulu na versão masculina, utiliza-se de hashtag mais pesadas e com conteúdos apenas sexual.

A vida virtual tornou-se mais interessante, teoricamente menos estressante e com pessoas felizes e fazendo sempre coisas muito fantásticas como tomar um sorvete, ou seja, um mundo perfeito.

Claro que não podemos negar que as redes sociais são um fato inerente à vida moderna, já que é dentro delas que ocorrem muitos relacionamentos de amizade ou mesmo íntimos. Na modernidade, a humanidade experimenta a compreensão da realidade de forma diferente mas que não necessariamente podemos considerar como certa ou errada. Precisamos portanto, ter o bom senso de optar pelo o que é melhor para cada um.

Mas, na minha opinião, é preciso encarar a vida real, ao vivo, de forma a criar laços sólidos com base na confiança na coletividade, onde seja possível encará-la como uma árdua tarefa que é composta por momentos agradáveis e outros nem tanto. Mas que vale a pena ser vivida sendo possível construir muitos significados por meio de esforço e dedicação.

E por fim…

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