Educação como meio para formação de cidadãos

Postado em 17 jun, 2013 - Psicologia

f02De início é importante ressaltar que, o desenvolvimento social de um país deve partir do investimento e proteção da base da sociedade, ou seja a criança.

A criança é o futuro cidadão e como tal, terá que proteger os interesses sociais e exercer seus direitos e deveres, e para que isso se efetive, é preciso que desde cedo ela aprenda a formar sua opinião e compreenda os problemas sociais de forma a continuar lutando contra estes e respeitando o seu próximo.

Para começar vamos à definição segundo o dicionário da língua portuguesa de dois itens:

  1. cidadania: Qualidade de cidadão
  2. cidadão: 1 Habitante de uma cidade; 2 Indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado

De acordo com a cartilha Direito do Cidadão, elaborada pelo Ministério Público Federal, Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão:

“Ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à  igualdade perante a lei: ter direitos civis. É também participar no destino da sociedade, votar, ser votado, ter direitos políticos. Os direitos civis e políticos não asseguram a democracia sem os direitos sociais, aqueles que garantem a participação do indivíduo na riqueza coletiva: o direito à educação, ao trabalho justo, à saúde, a uma velhice tranquila. Exercer a cidadania plena é ter direitos civis, políticos e sociais. É a qualidade do cidadão de poder exercer o conjunto de direitos e liberdades políticas, sócio-econômicas de seu país, estando sujeito a deveres que lhe são impostos. Relaciona-se, portanto, com a participação consciente e responsável do indivíduo na sociedade, zelando para que seus direitos não sejam violados.”

Segundo o site Portal Brasil, “cidadão é aquele que se identifica culturalmente como parte de um território, usufrui dos direitos e cumpre os deveres estabelecidos em lei. Ou seja, exercer a cidadania é ter consciência de suas obrigações e lutar para que o que é justo e correto seja colocado em prática.”

E nossos direitos e deveres não podem andar separados. Afinal, só quando cumprimos com nossas obrigações permitimos que os outros exercitem seus direitos.

São alguns exemplos dos direitos e deveres do cidadão:

Deveres

  • Votar para escolher nossos governantes.
  • Cumprir as leis.
  • Respeitar os direitos sociais de outras pessoas.
  • Educar e proteger nossos semelhantes.
  • Proteger a natureza.
  • Proteger o patrimônio público e social do País.
  • Colaborar com as autoridades.

Direitos

  • Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.
  • Saúde, educação, moradia, segurança, lazer, vestuário, alimentação e transporte são direitos dos cidadãos.
  • Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.
  • Ninguém deve ser submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante.
  • A manifestação do pensamento é livre, sendo vedado o anonimato.
  • A liberdade de consciência e de crença é inviolável, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto.

Contudo, mesmo a educação sendo um direito do cidadão, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2009 do IBGE, últimos dados disponíveis, no Brasil, a média nacional de analfabetismo é de 9,7%, no Sul do país o percentual de analfabetos representa pouco mais da metade da taxa brasileira e atingem 5,5% da população; no Nordeste o índice é quase o dobro da média nacional, 18,7%.

De acordo com o Censo 2010, em dez anos, o analfabetismo no país caiu só quatro pontos percentuais. Hoje, há ainda 13,9 milhões de brasileiros, com 15 anos ou mais, analfabetos.

Este quantitativo equivale a 9,63% da população nesta faixa etária e o Nordeste, apesar de ser uma das áreas do país que apresenta maior crescimento econômico e aumento de mercado consumidor, continua sendo a região com maior número de analfabetos. Enquanto no Sudeste os analfabetos são 5,5% da população, no Sul tem-se 5,1%, no Centro-Oeste 7,2%, no Norte 11,2%  e no Nordeste este valor é de 19,1%.  E existe uma relação direta entre o analfabetismo, a pobreza e o exercício da cidadania.

Segundo Timothy Ireland da Unesco:

 “A pessoa pobre tem um acesso restrito à educação e a muitos outros direitos como saúde, habitação e saneamento básico. Então, onde há bolsões de pessoas de baixa renda, como no Nordeste, há bolsões de pessoas que não sabem ler e escrever”.

O pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marcelo Medeiros ressalta que o analfabetismo gera um ciclo de imobilidade social que envolve não só o indivíduo, mas a sua família.

Em pesquisa encomendada à consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU) pela Pearson, empresa que fabrica sistemas de aprendizado e vende seus produtos a vários países, o Brasil ficou em penúltimo lugar em um ranking global de educação que comparou 40 países levando em conta notas de testes e qualidade de professores, dentre outros fatores. Em primeiro lugar está a Finlândia, seguida da Coreia do Sul e de Hong Kong.

Os 40 países foram divididos em cinco grandes grupos de acordo com os resultados. Ao lado do Brasil, mais seis nações foram incluídas na lista dos piores sistemas de educação do mundo: Turquia, Argentina, Colômbia, Tailândia, México e Indonésia, país do sudeste asiático que figura na última posição.

Os resultados foram compilados a partir de notas de testes efetuados por estudantes desses países entre 2006 e 2010. Além disso, critérios como a quantidade de alunos que ingressam na universidade também foram empregados. O ranking é baseado em testes efetuados em áreas como matemática, ciências e habilidades linguísticas a cada três ou quatro anos, e por isso apresentam um cenário com um atraso estatístico frente à realidade atual. Mas, o objetivo é fornecer uma visão multidimensional do desempenho escolar nessas nações, e criar um banco de dados que a Pearson chama de “Curva do Aprendizado”.

Nos países que obtiveram as melhores classificações foi observado um grau distinto de importância dada pela sociedade além das altas expectativas que os pais têm dos filhos. Além de vê-se  um “valor moral” concedido à educação muito parecido.

Neste ponto, é importante deixar claro que uma educação adequada é o ponto de partida para o correto exercício da cidadania. E quando fala-se em educação adequada trata-se não do apenas saber ler e assinar o próprio nome, a educação deve englobar o aluno nos problemas sociais e tenta mostrá-lo como ele deve se portar nesse meio, como ele deverá lutar para garantir seus direitos de cidadão e como deverá exercê-los.

E para que tudo isto ocorra é preciso ensinar muito mais do que ler!

Ler consiste na capacidade de extrair a pronúncia e o significado de uma palavra a partir de sinais gráficos,e o propósito da leitura é a compreensão! Lemos pra compreender, o propósito da leitura é a compreensão, mas ler não é o mesmo que compreender. Podemos ler sem compreender, podemos compreender sem ler. Ler é portanto diferente de aprender a ler.

alfabeinfantil240

“A compreensão é o objetivo central da leitura. A compreensão não depende apenas da leitura. A compreensão é independente dela, já que podemos compreender sem ler, da mesma forma que podemos ler sem compreender. Compreensão não é específica à leitura ou a pessoas alfabetizadas. A confusão entre o propósito da leitura e o processo de aprender a ler levou ao abandono de práticas eficazes de alfabetização e à sua substituição por práticas que, em nome de promover a compreensão,podem prejudicar de forma irreversível a capacidade de os alunos lerem com autonomia.”

A importância social, cultural, ética e econômica da leitura aumenta à medida que as sociedades se desenvolvem. E a compreensão do que se lê permite a reflexão, a análise critica e principalmente a formação de opinião.  O espaço escolar não deve apenas preocupar-se com a formação intelectual do educando, mas também e principalmente, com a sua formação enquanto ser humano ético, participativo, realizado no campo pessoal e profissional.

Só assim, com a formação de opinião consciente, sem influência de meios A ou B podemos ter verdadeiros cidadãos, que sabem exigir seus direitos e cumprir seus deveres.

“Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” (Paulo Freire)