A história do vestido de Noiva

Postado em 26 set, 2014 - Dicas Noivas

[denoivaparamae]_post_2609Após o pedido oficial de casamento e marcada a data do grande dia, com certeza o que toda noiva sonha é com o seu belo vestido. Aquele que a faça se sentir especial!!

Diferente de outro traje social de luxo o vestido de noiva tem um significado relevante para a cultura. Mais do que uma veste nupcial, o vestido de noiva, resgata pedaços da cultura, da religiosidade e da história da humanidade. Seus tecidos, volumes e complemento, simbolizam a magia que envolve a união dos cônjuges e demonstram a profundidade do conceito de Amor.

Segundo The White Dress, Harriet Worsley (2010: 12) “o vestido de noiva é o traje mais caro, glamoroso e especial que uma mulher irá vestir em toda a sua vida. É também uma importante demonstração de estilo tanto da noiva quanto do estilista”.

Ao longo da história, o vestido de noiva foi experimentando diversas formas, cores e feitios. Na Roma antiga, os vestidos de noiva eram um elemento central no ritual religioso e no Egito o branco era a cor base de quase todas as cerimônias.

Na idade média, a cristianização do ocidente trouxe novos costumes matrimonias e com a coroação de Carlos Magno, no ano 800 d.C tornou o casamento um sacramento religioso, com forte carga social e simbólica, carga esta, que em grande parte perdura até os nossos dias. Neste momento, a união dos cônjuges passou a se dar através de uma cerimônia religiosa que sacramentava a união de duas famílias e de seus patrimônios. O vestido de noiva surgiu neste período com a função específica de apresentar para a comunidade as posses da família da moça. Sua simbologia era a do poder e sua função era social. Os bordados predominavam nos vestidos de casamento da nobreza. A noiva era apresentada com um vestido vermelho ricamente bordado e sobre a cabeça um véu branco bordado com fios dourados. O vermelho representava a capacidade da noiva de gerar sangue novo e continuar a estirpe. O véu branco falava da sua castidade.

Casamento Maria de Médici Fonte: Google Imagens

Casamento Maria de Médici
Fonte: Google Imagens

A primeira noiva a se vestir de branco foi Maria de Médici ao se casar com Henrique IV, herdeiro da coroa francesa. Maria, princesa italiana, mesmo sendo católica não comungava da estética religiosa espanhola, e assim, se mostrou em brocado branco como prova da exuberância das cortes italianas. O vestido trazia um decote quadrado com o colo à mostra, o que causou grande escândalo perante o clero.A Revolução Francesa aboliu o padrão de elegância luxuoso que existia desde a Idade Média e o substituiu por um padrão mais discreto, puritano e burguês de origem inglês. Este padrão valorizou a pureza de caráter como a maior qualidade da noiva, projetou sobre ela a cor branca como símbolo da sua inocência virginal. Em 1854, o papa Pio IX proclamou que as noivas deveriam demonstrar através do traje branco a Imaculada Concepção assim como Maria a Imaculada. Esta fala papal estabeleceu para a noiva do Romantismo um padrão católico que se estende até os nossos dias no imaginário popular delegando à virgindade um papel primordial para a qualidade da noiva.

Rainha Vitória Fonte Google Imagens

Rainha Vitória
Fonte Google Imagens

A partir da segunda metade do século XIX, o Iluminismo transferiu para o branco a ideia de luz e de abundância, o branco como claridade e como a soma de todas as cores. O branco continuou a representar a pureza e a castidade, sendo agregada ao traje a for de laranjeira como símbolo de fertilidade.

Foi a partir do século XIX que os vestidos de noiva ganharam significado e simbolismo e o branco foi impulsionado pela Rainha Vitória como nova tendência, embora só se tenha popularizado a partir do século XX.

No século XX o traje nupcial acompanhou toda a evolução da moda, acompanhando o sistema de alta costura que vestiu todas as princesas do século e foi divulgado pelas revistas e figurinos de moda e posteriormente pelo cinema e pela televisão.

Grace Kelly Fonte Google Imagens

Grace Kelly
Fonte Google Imagens

Em 1956, o vestido de casamento de Grace Kelly com o príncipe Rainier de Mónaco, em que a atriz foi considerada uma das noivas mais bonitas de sempre, continua a ser referencia de moda e apontado como um dos vestidos mais bonitos.
Já na década de 60 a moda foi tomada pelo sistema de prêt-à-porter. Neste período o rigor cerimonial caiu, mas a carga simbólica não diminuiu apenas o tema mudou diferente da representação patrimonial das famílias, a noiva dos anos 60 mostrou o desejo de viver uma relação matrimonial sustentada no afeto e no desejo amoroso que pode unir um homem a uma mulher como parceiros de um ideal Hippie.

A recuperação da força da cerimônia matrimonial como a realização do sonho da moça que encontra seu príncipe encantado, se deu nos anos 80 com o casamento de Lady Diana Spencer com o Príncipe de Gales, futuro rei da Inglaterra em 1981.
O matrimônio como instituição renasceu na década de 90 e da revolução que transformou costumes durante a década de 60 herdou o direito de acrescentar às suas intenções o desejo de sucesso amoroso para ambas as partes.

Os atuais vestidos de noiva têm sido apresentados nas cores da paixão, da pureza e adornados de múltiplas flores remetendo a todo tipo de fertilidade amorosa. Mais do que nunca, estes vestidos têm sido apresentado com tecidos luxuosos, brilhantes e bordados e sua alta carga simbólica continua a representar o papel da mulher dentro da instituição do casamento, hoje vista não como representação do patrimônio familiar paterno, mas como uma parceira à altura das competências do marido como provedor.

Contudo em outras culturas o vestido de noiva não segue o padrão adotado no ocidente. Na China é costume a noiva ter ao menos três vestidos para serem usados durante a festa. Primeiro, há o tradicional qipao ou cheongsam, que é geralmente vermelho, pois a cor simboliza sorte na cultura chinesa.

Na Índia as noivas usam muitas joias e mãos pintadas. Antes de uma noiva indiana se casar, suas amigas e parentes decoram suas mãos e pés com desenhos elaborados com henna chamados “menhdi”.

Hanbok Fonte Google Imagens

Hanbok
Fonte Google Imagens

Na Coréia os casamentos tradicionais, representa a união de duas famílias, ao invés da união de dois indivíduos. Como tal, o evento foi muitas vezes chamado de Taerye (Ritual Grande). A cerimônia é repleta de valores confucianos. Embora os coreanos tenham mantido vários aspectos da cerimônia tradicional, como a utilização do Hanbok pela noiva, as cerimônias mais modernas assemelham-se mais aos casamentos ocidentais mais tradicionais.

Para finalizar, segue um resumo da história do vestido de noiva como conhecemos hoje:

  1. 1910 começa-se a usar o branco, não como sinônimo de pureza, mas como expressão de riqueza
  2. Uma década mais tarde, as noivas libertaram-se e começam a mostrar as pernas com vestidos de linha reta. É o auge do veludo branco.
  3. Em 1930  revive-se o estilo vitoriano com mangas em balão e linhas lânguidas.
  4. Nos dourados anos 50 a moda tinha o selo Christian Dior, e glamour, a fantasia, e o luxo desenfreado inspiraram o traje das noivas.
  5. Na década dos anos 60 viveu-se uma autentica revolução sexual. As  minissaias estiveram na moda nupcial. Flores naturais nos longos cabelos e véus mais curtos.
  6. Em 1970 os casamentos recuperaram a sua importância e em 1980 o traje que simbolizava a riqueza da época era o de Lady Di.
  7. Hoje em dia, os vestidos de casamentos deixam-se influenciar por diferentes correntes, ditadas por desenhadores que buscam a sua inspiração nas passarelas de alta costura de Nova York e Paris.
Fontes de pesquisa: