Ciência baseada em evidência: como filtrar as informações encontradas na internet

Postado em 26 ago, 2013 - Dicas Gestantes, Dicas Mamães, Dicas Noivas, Psicologia
Fonte: Google Imagens

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Já falamos um pouco no post O que postamos nas redes sociais? o quanto a vida pessoal está sendo exposta. E minha intenção no texto de hoje é falar um pouco da quantidade de informações que estão acessíveis com apenas um clique e como podemos filtrar o que realmente é relevante, principalmente quando falamos de “conselhos” relacionados à saúde.

Como já foi dito antes:

Não sou contra a internet nem as redes sociais, muito pelo contrário, estou aqui também expondo opiniões e o meu trabalho!! A internet é uma ferramenta incrível que permite a distribuição em larga escala de informação, já que antes da internet, qualquer tipo de informação precisava vir em um meio material, físico, seja em um livro, um disco ou até mesmo um disquete de um programa de computador, hoje a informação circula livremente pela rede e é capaz de atingir um grande número de pessoas.

Mas, o que vejo é uma proliferação momentânea de pessoas que tornam-se “referências”  na internet, mas acredito também como diz Gilberto Dimenstein, que com o tempo o ruído será decantado, ficando como referência apenas aqueles que realmente apresentam conteúdo e bom senso.

É esse questionamento que sempre me faço, como um texto baseado apenas em experiências pessoais ou utilizando de informações não científicas tornam-se a verdade absoluta para muita gente que coloca em prática o que leu?

Este ato que parece inofensivo, seja em seguir uma dica de dieta, em como colocar o filho para dormir, como lidar com conflitos familiares pode causar danos e é extremamente importante que o leitor se questione  devendo ser eminentemente crítico quanto à informação disponibilizada. E para isto, o que sugiro, é conhecer a ciência baseada em evidências.

A ciência baseada em evidência é a expressão utilizada para designar a forma de se produzir conhecimento científico. Ela teve origem com o movimento médico iniciado por Archie Cochrane, pesquisador que em 1972 sistematizou o método cientifico de forma a tornar possível a obtenção de dados cada vez mais confiáveis para a aplicação na medicina e em outras áreas do conhecimento. A prática baseada em evidência não está relacionada com nenhuma orientação teórica específica.

Dentro desse paradigma, qualquer intervenção deve ser fundamentada por evidências objetivas e cientificamente comprovadas.

Até uns poucos anos atrás, a forma mais comum de um médico, ou qualquer outro profissional de saúde, tomar uma decisão frente a uma situação clínica, era com base apenas na sua experiência. Este método não é de todo ruim e foi o responsável pela formação de muitos profissionais, aliás, historicamente, as principais evoluções científicas da medicina e das demais áreas da ciência, foram na base da experiência individual, dedução lógica e estudos de casos.

Mas então, o que a ciência baseada em evidência apresenta de novidade?

Bem, este método científico permite ao profissional de saúde tomar uma decisão baseada não apenas em sua própria experiência, mas somar a ela dados obtidos através de estudos cientificamente válidos e relevantes que, devido  à forma que são feitos, possuem informações com uma possibilidade muito maior de estarem corretas. Isso proporciona a escolha de tratamentos mais seguros, com menos risco à saúde e cada vez mais eficientes.

Neste ponto temos a proximidade que busco entre o profissional de saúde e o leitor que procura informações diversas na internet. É muito importante lembrar que, em geral, as afirmativas não valem por si mesmas, é preciso uma base de comparação; não se pode confiar em um texto que informe, por exemplo, que determinado tratamento tem “menos risco”, ou “mais ação”, é só pensar um pouco: menos risco do que o quê? Mais ação do que o quê?

Assim é preciso a todo tempo questionar as informações, pois o grande problema é quando ocorre generalizações das recomendações e “dicas” que os profissionais passam para uma pessoa específica ou quando a experiência própria é usada como base para oferecer conselhos.

Nem sempre tudo o que consta em um blog pode ser expandido a qualquer pessoa, devendo-se ter cautela ao ler informações obtidas na internet, pois uma associação não implica, necessariamente, numa relação de causa e efeito. Não se pode inferir causa sem outros tipos de evidência, além de uma experiência pessoal.

Por mais bem intencionados que sejam os autores dos textos, estas informações e experiências não substituem o atendimento profissional. Sendo o maior desafio portanto, separar quais informações podemos considerar relevantes das que são fúteis ou mesmo criminosas, por exemplo, como já vi em alguns blogs a indicação de medicações.

Por fim, o mais importante, é tomar uma decisão baseada não apenas experiência que foi relatada, mas somar a ela dados obtidos através de estudos cientificamente válidos e relevantes que também podem ser encontradas na própria internet em sites como o SciElo, PubMed e Portal de periódicos CAPES.

Referências:

APA Presidential Task Force on Evidence Based Practice (2006). Evidence-Based Practice in Psychology. American Psychologist, vol. 61, nº 4, pp. 271-285.

Psicoterapia baseada em evidências em crianças e adolescentes

A PRÁTICA CLÍNICA BASEADA EM EVIDÊNCIAS – PARTE I – QUESTÕES CLÍNICAS BEM CONSTRUÍDAS

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O desafio de selecionar informações na Internet