Casamento: expectativas e idealizações

Postado em 5 jul, 2013 - Dicas Noivas, Psicologia
Fonte http://www.sxc.hu/

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O amor e o casamento como conhecemos hoje, surgiu com a ordem burguesa, e só ganhou esta configuração a partir do século XVIII, quando a sexualidade passou a ocupar um lugar importante dentro do casamento.

Portanto, a união que associa amor, sexualidade e casamento é uma invenção da era burguesa. O amor-sexual, amor-paixão, como fundamento do casamento, surgiu na modernidade e, com ela, trouxe um elemento revolucionário, pois enunciava uma nova ordem das coisas.

Nesse cenário, o amor percorre uma longa trajetória até chegar à condição de força irresistível, sempre pronta a desembocar no casamento, como capturaram e inspiram as telas de Hollywood, que muito pouco traduz de forma realista aquilo que os relacionamentos amorosos costumam ser na vida real criando uma imagem de um amor perfeito e de parceiros perfeitos.

Em torno deste novo ideal de conjugalidade, criaram-se muitas expectativas e idealizações, decorrente, na maioria das vezes, do contraste entre o que é prometido socialmente como casamento e a realidade diária com a qual se deparam os casais. Uma das causas mais frequentes em um problema de relacionamento são as expectativas não realistas que criamos para o relacionamento e para o parceiro, já que somos educados em um contexto repleto de mitos sobre a conjugalidade.

A ideia de casamento como lugar de felicidade onde o amor e a sexualidade são fundamentais é um dos mitos criados em torno do relacionamento amoroso.

Outros mitos são: a) se há amor e compromisso suficientes, o casal é capaz de enfrentar todas as dificuldades; b) os problemas do início do casamento tendem a melhorar com o tempo; c) com quem você se casa vai definir o quanto você será feliz no matrimônio; d) homens e mulheres têm diferentes necessidades e formas de estabelecer intimidade.

O que percebemos com base nestes mitos é que somos socialmente induzidos a desejar uma união fundamentada em aspirações irreais. Essas expectativas distorcidas estão na base do que as pessoas almejam quando pensam em casamento. Contudo, são também um dos motivos pelos quais os casais apresentam dificuldades em lidar com o dia a dia do casamento.

Sendo assim, gerar expectativas irreais sobre a vida a dois pode cria grandes dificuldades no relacionamento amoroso.

Além de todas as expectativas que giram em torno do casamento, podemos juntar o fato que ambos foram criados com costumes e culturas diferentes, e é na vida diária que as pessoas descobrem os defeitos e qualidades de seus cônjuges. Sendo então, o período de adaptação tido como uma das fases mais difíceis em todos os casamentos. Em alguns casos podendo chegar até cinco anos.

E a partir daí se desencadeia um processo no qual se tenta jogar a culpa no outro: foi o outro que não correspondeu às expectativas ou que mudou muito e já não é aquele com o qual se iniciou uma relação arrebatadora e completa. Pois, o conhecimento real da outra pessoa pode causar choques e até traumas.

Até este momento do texto vocês devem estar se perguntando o que fazer… Devemos desistir dos relacionamentos? Claro que não!! Relacionamentos amorosos são essenciais em nossas vidas e são uma delicia quando não criamos todas essas expectativas não realistas.

Mas o que fazer então?

O primeiro passo é se questionar sobre as expectativas que criamos em relação ao parceiro e ao relacionamento, e tentar perceber se há alguma expectativa irrealista e até que ponto se está fazendo exigências para que o parceiro e relação sejam perfeitos.

Comuniquem-se! O diálogo é a melhor solução para todos os problemas! Melhore a comunicação, é importante ter em conta que independente á quanto tempo o casal estejam juntos, nunca é tarde para aprender a comunicar. Tentem comunicar um com o outro como dois adultos, muitos casais se sentem no direito de ser pai ou mãe no momento em que se falam. Tem que se manter a igualdade de estatuto no casal.

 E nas ocasiões em que cada um deseja fazer uma coisa diferente, procurem negociar de forma justa se um quer preto e outro branco.

Referências:
ARAUJO, MF. (2002) Amor, casamento e sexualidade: velhas e novas configurações. Psicol. cienc. prof., Brasília, v. 22, n. 2.
BAPTISTA, MN; TEODORO, MLM. (2012) Psicologia de família: teoria, avaliação e intervenção. Porto Alegre: Artmed.