Vacina contra o HPV

Postado em 16 mar, 2014 - Dicas Mamães

Este post não tem como objetivo substituir a consulta médica.

Somente o médico tem condições de avaliar cada caso e somente o médico pode orientar sobre o tratamento e a prescrição adequada de medicamentos.

Fonte: Google Imagens

HPV é a sigla em inglês para papiloma vírus humano. Os HPV são vírus capazes de infectar a pele ou as mucosas e existem mais de 100 tipos diferentes de HPV, sendo que cerca de 40 tipos podem infectar o trato ano-genital.

HPV é um vírus de transmissão preferencialmente sexual, considerado como uma doença sexualmente transmissível (DST) mais frequente no mundo. São  vírus da família Papilomaviridae, capazes de induzir lesões de pele ou mucosa, as quais mostram um crescimento limitado e habitualmente regridem espontaneamente por ação do sistema imunológico.

Formas de contágioA principal forma de transmissão desse vírus é pela via sexual. Para ocorrer o contágio, a pessoa infectada não precisa apresentar sintomas. Mas, quando a verruga é visível, o risco de transmissão é muito maior. O uso da preservativo durante a relação sexual geralmente impede a transmissão do vírus, que também pode ser transmitido para o bebê durante o parto.

Câncer do colo do úteroSegundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), câncer do colo do útero é o segundo câncer mais comum em mulheres em todo o mundo. Não entanto, devido ao acesso precário a serviços de detecção precoce e tratamento, a grande maioria das mortes ocorre em mulheres que vivem em países de baixa e média renda. Sendo registrados 500.000 novos casos por ano e 270.000 óbitos relacionados ao câncer do colo do útero, destes 80% em países pobres.

O câncer do colo do útero, também chamado de cervical, demora muitos anos para se desenvolver.  As alterações das células que podem desencadear o câncer são descobertas facilmente no exame preventivo (conhecido também como Papanicolaou), por isso é importante a sua realização periódica. A principal alteração que pode levar a esse tipo de câncer, como já mencionamos, é a infecção pelo papilomavírus humano, o HPV, com alguns subtipos de alto risco e relacionados a tumores malignos. O câncer de colo de útero é o terceiro tipo de câncer mais frequente na população mundial feminina, subindo para a segunda posição quando se consideram mulheres em idade reprodutiva (15 a 44 anos).

No Brasil, é o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres, perdendo apenas para o câncer de mama. Seu risco estimado é de 18 casos a cada 100 mil mulheres. Sabe-se que o HPV, de transmissão sexual, está relacionado com o desenvolvimento de aproximadamente 98% dos casos dessa neoplasia. É condição necessária, apesar de não suficiente para o seu surgimento.

A infecção persistente por um HPV de alto risco está associada ao desenvolvimento de lesões precursoras em câncer do colo uterino. Esta persistência decorre da dificuldade do hospedeiro em se defender do HPV, pois a infecção é restrita à epiderme, sem lesão celular ou processo inflamatório, resultando em fraca estimulação do sistema imunológico, que também é inibido por proteínas produzidas pelo HPV.

Desta forma, nem sempre uma infecção natural por HPV resulta em resposta imunológica ou produz memória imunológica, possibilitando reinfecções pelo mesmo tipo de HPV.

O HPV é considerado o agente causal deste câncer, e os HPV 16 e 18 estão presentes em cerca de 70% dos casos, nos cinco continentes. A prevalência da infecção por HPV é alta entre mulheres jovens em atividade sexual e estima-se que mais de 70% das mulheres terão contato com algum tipo de HPV durante a vida.

Fonte: OMS

Fonte: OMS

Com maior raridade, o vírus HPV pode ser responsável por cânceres de vulva, vagina, ânus, pênis e orofaringe (garganta). Principalmente nas crianças, a preocupação se estende à papilomatose respiratória, doença grave adquirida durante a gestação ou parto. A papilomatose respiratória pode desempenhar possível papel nos cânceres de pescoço e de cabeça.

A vacina: As vacinas são um dos mais importantes avanços da Medicina, sendo responsáveis pela diminuição e até erradicação de diversas doenças, poupando vidas e contribuindo para melhorar as condições dos seres humanos em todo o planeta.

Duas vacinas contra o HPV já estão sendo comercializados em muitos países em todo o mundo. Ambas as vacinas são altamente eficazes na prevenção da infecção com vírus tipo 16 e 18, que estão juntos responsáveis ​​por aproximadamente 70% dos casos de câncer do colo do útero no mundo. Eles também são altamente eficazes na prevenção de lesões cervicais pré-cancerosas causadas por estes tipos.Uma vacina também é altamente eficaz na prevenção de verrugas anogenitais, uma doença genital comum, que é praticamente sempre causada por infecção com os tipos de HPV 6 e 11. O grupo-alvo primário na maioria dos países recomendando vacinação contra o HPV é meninas adolescentes. Os dados de ensaios clínicos e de vigilância pós-comercialização inicial realizado em vários continentes mostram ambas as vacinas para ser seguro.

No mundo, 134 milhões de doses da vacina quadrivalente já foram distribuídas desde 2006 e, até o momento, não há evidências comprovadas de que a vacina cause reações adversas graves. Todos os casos relatados nos estudos clínicos tiveram a comprovação de que a vacina não havia sido a causa da complicação, mas com ela tiveram só relações temporais, ou seja, aconteceriam independentemente da vacina.

De acordo com a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), o ideal é que a vacina seja aplicada a partir dos 9 anos de idade, antes do início da atividade sexual. Quanto mais cedo, maior será a proteção. Mas a vacina também é indicada para pessoas que já iniciaram a vida sexual e até mesmo para aqueles que já foram infectadas por algum tipo de HPV. Nestes casos há o benefício da prevenção dos demais tipos de vírus cobertos pela vacina quadrivalente.

Segurança da vacina:

Essa vacina tem possibilidade reduzida de causar efeitos adversos por ser constituída por uma proteína que “imita” o modelo do capsídeo viral, resultante de engenharia genética, e não levar o DNA viral.A vacina quadrivalente contra o HPV já vem sendo utilizada em 127 países e sua segurança e eficácia estão bem estabelecidas por organizações internacionais da maior competência e idoneidade, satisfazendo os mais rigorosos princípios exigidos por entidades como a Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Panamericana de Saúde (OPAS), Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), Agência Europeia de Medicamentos (EMEA), Food and Drug Administration (FDA), além das nacionais: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e Ministério da Saúde.

É fundamental deixar claro que a adoção da vacina não substituirá a realização regular do exame de citologia, Papanicolaou (preventivo). A vacina é mais uma estratégia possível para o enfrentamento do problema e um momento importante para avaliar se há existência de DST.

Embora a vacinação para o sexo masculino ainda não seja oferecida gratuitamente pelo Ministério da Saúde, ela pode ser encontrada em clínicas particulares e também traz benefícios relevantes, pois gera proteção contra infecções, verrugas e cânceres causados pelo HPV.

Fontes de pesquisa:

Vacina contra o HPV e a Prevenção do Câncer do Colo do Útero:  Subsídios para a Prática

Eficácia das vacinas comercialmente disponíveis contra a infecção pelo papilomavírus em mulheres: revisão sistemática e metanálise

INCA: HPV e câncer – Perguntas mais frequentes

INCA: COLO DO ÚTERO

OMS: Prevenção e controle de amplo alcance do câncer do colo do útero: um futuro mais saudável para meninas e mulheres

Posicionamento Febrasgo vacinação HPV

Sociedade de Pediatria apoia vacina contra o HPV

BSV: Condiloma acuminado (HPV)

WHO: Human papillomavirus (HPV)

CRM-PB: Vacina contra HP

INCA: Programa nacional de controle do câncer do colo do útero

WHO: Human papillomavirus laboratory manual