Resposta emocional da criança e a separação parental

Postado em 24 set, 2013 - Dicas Mamães, Psicologia
Fonte: Google Imagens

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A separação dos pais tem sido descrito como um evento estressante para as famílias, nomeadamente porque implica uma série de mudanças e ajustamentos na vida dos pais e das crianças. Como outras situações familiares estressantes, o divórcio aumenta a probabilidade de pais e crianças evidenciarem mal-estar psicológico; e as diversas reações adversas em vários níveis, assim como sintomas que são comuns nessa fase de transição, têm sido descritas nos mais variados estudos.

A forma como cada criança reage à separação de seus pais vai depender de vários fatores como: sua idade, a maturidade psicológica, a qualidade da relação com os pais, a crença sobre o divórcio, a existência de problemas emocionais prévios, e o suporte das pessoas com quem convive. Sendo o processo de separação considerado um dos mais estressantes da infância.

O temperamento e nível de desenvolvimento são dimensões intrínsecas à criança, essenciais na compreensão do processo de adaptação à separação parental. Dimensões como a autoestima, a competência cognitiva e a autonomia da criança, associadas ao sistema de suporte social, também estão positivamente ligadas a uma maior adaptação da criança.

A separação não implica forçosamente maior impacto numa dada idade, mas sim efeitos diferentes consoante o estágio desenvolvimental da criança. No entanto, quando se isola o nível de desenvolvimento da criança de outras variáveis, observa-se que quanto mais elevado e integrado o nível de desenvolvimento da criança, melhores os índices de adaptação à separação dos pais. Alguns estudos concluíram que crianças em idade pré-escolar apresentam maior risco ecológico e desenvolvimental para trajetórias sociais e emocionais desadaptadas, em comparação com crianças de mais idade.

A imaturidade das suas estruturas cognitivo-emocionais faz com que sejam menos capazes de avaliar realisticamente as causas, os processos e as consequências da separação e centralizem em si a responsabilidade pela ruptura entre os pais, ao que se alia uma menor competência para conseguir o suporte necessário à diminuição do seu nível de aflição.

 A separação pode, portanto, desencadear na criança algumas fantasias, entre elas pensar que se os pais deixaram de se amar, que deixará de ser amado por eles a qualquer momento, ou ainda acreditar que os pais se separaram por sua culpa, por ter feito ou dito algo errado. Todas essas fantasias deixam a criança ansiosa podendo reagir a esses eventos de diversas formas, como os comportamentos de agressividade, sintomas depressivos, irritabilidade, birras, e queda no rendimento escolar. Esse é um momento de perda na vida da criança e, nestes casos há a necessidade de acompanhamento por profissional da área de saúde mental.

Dentro as dificuldades apresentadas, podemos destacar a perda de autoestima durante a separação e o divórcio e isso pode levar ao isolamento social, revolta, agressividade, desatenção, enfim, alterações comportamentais próprias de um estado depressivo.

O que pode melhorar a afetividade das crianças na separação conjugal dos pais são informações claras e honestas sobre o futuro. E o papel da escola neste momento mostra-se fundamental,  já que algumas crianças consideram a escola como um refúgio dos problemas familiares, pois, tanto o ambiente escolar quanto os professores, continuam constantes em sua vida durante esse período de grande mudança existencial.

Contudo, isto não significa que a criança aceitará conversar a respeito das dificuldades que enfrentam em casa, e cabe aos profissionais da escola senso e um tanto de paciência para contornar as situações inadequadas.