Nina e a felicidade

Postado em 27 ago, 2013 - Dicas Mamães, Psicologia

Imagens-Livros-Normal-LV243630_N“Nina não sabe se um dia fará a felicidade de toda a humanidade… Finalmente, ela acha que, para ser feliz, não se deve ficar pensando sem parar na felicidade. Se a procuramos muito, se ficamos refletindo sobre ela o tempo todo, vamos nos sentir infelizes. É uma ideia estranha: não procurar a felicidade para encontrar a felicidade. “É engraçado”, pensa ela. “Passei esse tempo todo procurando-a e não podia encontra-la!”” (Brenifier, 2009, p.62)

Nina e a felicidade do autor Oscar Brenifier,ilustração: Íris de Moüy, Editora Globo. 

 

Oscar Brenifier é PhD em filosofia e escreve para as crianças. Sensível ao universo infantil, o autor constrói um texto simples é profundo sem ser difícil, que proporciona prazer sem abrir mão do rigor intelectual. Que respeita o pequeno leitor, porque o trata como um igual.

Na matéria Filosofar com as Crianças, publicada em 1 de Junho de 2008 na revista Notícias Magazine Oscar Brenifier afirma

“As crianças que têm filosofia são mais conscientes de si mesmas, mais tranquilas e, ao mesmo tempo, mais cuidadosas quando escutam os outros, mais capazes de desenvolver um pensamento crítico. São crianças que conseguem examinar uma ideia, que conseguem escutar os outros e concentrar-se com mais facilidade. A filosofia para crianças não é só uma disciplina. É mais do que isso. É transversal a várias áreas do conhecimento.” e que “…o que a criança diz é profundo ou é um sinal de genialidade”

“Uma criança de quatro anos pode pensar, com a sua experiência de quatro anos no que é a morte” (por exemplo) “Quando uma criança tem uma pergunta, não devemos precipitar-nos e dar-lhe uma resposta tipo para aquela situação. Devemos, antes, perguntar-lhe o que pensa sobre a morte” (por exemplo) “Devemos tentar aprofundar o seu pensamento. Há que valorizar a sua capacidade autónoma de pensar…”

Fazer com que crianças se interessem por Filosofia não é uma tarefa fácil e Brenifier assume esta missão  apoiado principalmente nas ilustrações. O livro Nina e a felicidade narra a história de uma garotinha se questiona sobre o mundo e as emoções.

Com suas inúmeras perguntas a curiosa protagonista nos leva junto com ela pelas deliciosas especulações filosóficas contidas em Nina e a felicidade.

“Nina é uma menina, que do alto de seus 8 anos de idade, se sente infeliz depois de brigar com sua melhor amiga na escola. Este é o ponto de partida para a garotinha fazer uma série de questionamentos sobre a felicidade – a si mesma e a todos a seu redor, inclusive seu cãozinho de estimação. O que é ser feliz? Por que é tão fácil ser infeliz? Felicidade é uma questão de sorte ou de escolha? Ela depende de mim ou dos outros? O que ela tem a ver com o amor? É possível ser feliz o tempo todo, para sempre? Insaciavelmente curiosa, Nina desfia pergunta sobre pergunta para tentar entender os próprios sentimentos diante de um mundo nem sempre fácil de decifrar.”

Brenifier conduz o leitor, pequeno ou grande, pela mais excitante das aventuras: o exercício do pensamento, fazendo referências a mitos gregos como o de Sísifo (condenado eternamente a empurrar uma rocha ao topo de uma colina), ao conto de fadas da Cinderela ou aos ensinamentos de Sidarta Gautama, o Buda. Utilizando mais reflexões do que ações na construção da trama em que os personagens dialogam o tempo todo.

O texto é emoldurado pelas ilustrações minimalistas de Iris de Moüy, artista francesa cujo trabalho tem forte influência dos mangás japoneses o que confere um toque especial à narrativa. Por ser ilustrado como uma história em quadrinhos e está dividido em pequenos capítulos o texto torna-se convidativo para os pequenos, já que é possível ler poucas páginas por vez.