Infância x Sociedade de Consumo

Postado em 5 dez, 2013 - Dicas Mamães, Psicologia
Fonte: Google Imagens

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Pobres daqueles que, em razão da escassez de recursos, são condenados a continuar usando bens que não mais contêm a promessa de sensações novas e inéditas. Pobres daqueles que, pela mesma razão, permanecem presos a um único bem, em vez de flanar entre um sortimento amplo e aparentemente inesgotável. Tais pessoas são os excluídos na sociedade de consumo, os consumidores falhos, os inadequados e os incompetentes, os fracassados – famintos definhando em meio à opulência do banquete consumista (BAUMAN, 2004, p. 68).

Além de Bauman, autor que gosto muito, Richard Sennett um dos mais instigantes analistas sociais contemporâneo, analisa como as mudanças econômicas estão moldando os valores pessoais e sociais, bem como as transformações radicais nos hábitos de consumo dentro da cultura do novo capitalismo.

Sennett pondera:

Se pudéssemos espiar o armário da residência de um funcionário parisiense do antigo regime, encontraríamos apenas alguns poucos vestidos femininos, talvez dois conjuntos de roupas masculinas e sapatos passados de mão em mão através de gerações…

A sedução do mercado de consumo é enorme e passamos a atrelar a tão almejada felicidade ao que temos e podemos acumular, ou seja consumir determinados objetos, e adotar determinado estilo de vida é condição necessária para a felicidade  ou até mesmo para a dignidade humana. O consumo abundante está intimamente associado como a marca do sucesso de uma pessoa/família.

Este ponto é importante quando pensamos na infância e como as crianças podem ser influenciadas pela mídia. A criança até aproximadamente os 12 anos ainda não é completamente capaz  de compreender as diversas sutilezas e interpretar criticamente o sofisticado discurso utilizado pela mídia, tornando-se alvo fácil da falsa necessidade de consumir para ser feliz.

Pensando em termos neuropsicológicos, esta falta compreensão encontra-se relacionada à maturação do córtex pré-frontal, responsável pelo julgamento crítico e que  só termina seu processo de maturação por volta dos 23 anos de idade.  O córtex pré-frontal é responsável pelas funções executivas, que referem-se, de forma geral, à capacidade do sujeito de engajar-se em comportamento orientado a objetivos, ou seja, à realização de ações voluntárias, independentes, autônomas, auto-organizadas e orientadas para metas específicas. As funções executivas estão entre os aspectos mais complexos da cognição e envolvem a seleção de informações, a integração de informações atuais com informações previamente memorizadas, o planejamento, o monitoramento e a flexibilidade cognitiva, sendo assim, relacionada relaciona às habilidades para diferenciar pensamentos conflitantes, determinar o bom ou ruim, melhor e pior, igual e diferente, consequências futuras de atividades correntes, trabalho em relação a uma meta definida, previsão de fatos, expectativas baseadas em ações e controle social.

Aliada a esta imaturidade própria da idade, temos as pesquisas de mercado, estudos com grupos de observação de comportamento do consumidor incluindo estudos com aspectos psicológicos para aumentar a venda e lucro das empresas. Sendo portanto a  criança bastante influenciada pela indústria publicitária. Cabe portanto aos responsáveis orientarem as crianças sobre a real necessidade de consumir.

Para finalizar deixo a entrevista concedida ao Instituto Alana do  físico quântico indiano Amit Goswami  falou sobre como construir novos significados, formas de pensar e de gerar valor por meio de uma liderança alinhada ao espírito de nosso tempo.

Será que nascemos consumistas?