Estilos parentais

Postado em 16 ago, 2013 - Dicas Mamães, Psicologia

Qual a importância de se falar dos estilos parentais? Bem, é de conhecimento de todos que a educação é fundamental para o desenvolvimento humano, bem como o papel desempenhado pelos pais e o “estilo parental” deles. Mas o que são estilos parentais?

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Fonte: Google Imagens

O comportamento do ser humano e a sua personalidade, é constituída fundamentalmente pela interação entre a educação com predisposições genéticas, sabendo que a educação é a base. Pois se as predisposições genéticas, genótipos, podem ou não se desenvolver de acordo com o meio ambiente, fenótipo; e neste ponto a educação tem a função de mediadora entre o sujeito e o meio.

Sendo assim as relações que se estabelecem na família original com os cuidadores, assim como as relações que se formam com outros sistemas mais próximos (escola, parentes, amigos), são componentes fundamentais no modo como o indivíduo irá ver o mundo. Sendo a família, sob esse aspecto, é um laboratório de vivências relacionais e de aprendizagens e as práticas educacionais exercidas em diferentes configurações familiares e as repercussões destas no comportamento dos filhos se tornaram de grande interesse para diversos estudiosos.

De acordo com Cruz (2005) parentalidade é como o “conjunto de ações encetadas pelas figuras parentais (pais ou substitutos) junto dos seus filhos no sentido de promover o seu desenvolvimento da forma mais plena possível, utilizando para tal os recursos de que dispõe dentro da família e, fora dela, na comunidade” (p.13).

Desta forma, a relação entre pais e filhos torna-se primordial, assumindo um papel essencial dentro das relações familiares. Enquanto cuidadores da criança, os pais tornam-se os principais agentes da sua socialização, a nível comportamental, emocional e de desenvolvimento cognitivo.

Contudo, nunca se pode assumir que é apenas  o modo de ser e de agir dos pais a influenciar decisivamente em determinada direção os filhos, pois outros fatores estão implicados, como a hereditariedade, a idiossincrasia de cada filho, a sua idade, o número de irmãos e ainda outros fatores familiares e extra familiares.

Em a revisão histórica do conceito de estilo parental, podemos definir o estilo parental como o contexto em que os pais influenciam seus filhos através de suas práticas de acordo com suas crenças e valores, indo além da combinação entre exigência e responsividade. Sendo importante ressaltaram a diferença entre “estilo” parental e “práticas” parentais.

Fonte: Google Imagens

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As práticas parentais correspondem a comportamentos definidos por conteúdos específicos e por objetivos de socialização; diferentes práticas parentais podem ser equivalentes para um mesmo efeito no filho. As práticas são estratégias com o objetivo de suprimir comportamentos considerados inadequados ou de incentivar a ocorrência de comportamentos adequados. E os pais podem utilizar-se da combinação de várias destas estratégias, variando de acordo com as situações.

Os estilos parentais constituem o conjunto de atitudes dos pais que cria um clima emocional em que se expressam os comportamentos dos pais, os quais incluem as práticas parentais e outros aspectos da interação pais-filhos que possuem um objetivo definido, tais como: tom de voz, linguagem corporal, descuido, mudança de humor, portanto, os estilos parentais são “manifestações dos pais em direção a seus filhos que caracterizam a natureza da interação entre esses.

Atualmente os estudos psicológicos mostram que família é essencial na vida de todos, mas ela pode determinar aspectos de proteção quanto de risco e cada estilo de parental contribui para determinar o desenvolvimento e socialização de crianças e adolescentes que formarão um repertório comportamental que levam para o resto da vida.

O estudo dos estilos parentais a partir das pesquisas realizadas por Baumrind (1966) temos três formas de classificação dos pais:

1- Autoritativos:  aqueles que tentam direcionar as atividades de suas crianças de maneira racional e orientada; incentivam o diálogo, compartilhando com a criança o raciocínio por detrás da forma como eles agem, solicitam suas objeções quando ela se recusa a concordar; exercem firme controle nos pontos de divergência, colocando sua perspectiva de adulto, sem restringir a criança, reconhecendo que esta possui interesses próprios e maneiras particulares; não baseiam suas decisões em consensos ou no desejo da criança.

2- Autoritários: modelam, controlam e avaliam o comportamento da criança de acordo com regras de conduta estabelecidas e normalmente absolutas; estimam a obediência como uma virtude e são a favor de medidas punitivas para lidar com aspectos da criança que entram em conflito com o que eles pensam ser certo.

3- Permissivos: tentam se comportar de maneira não-punitiva e receptiva diante dos desejos e ações da criança; apresentam-se para ela como um recurso para realização de seus desejos e não como um modelo, nem como um agente responsável por moldar ou direcionar seu comportamento.

O estilo parental permissivo foi desmembrado em dois, estilo indulgente e estilo negligente, por meio de duas dimensões: exigência (demandingness) e responsividade (responsiveness). O estilo indulgente (exigência baixa e responsividade alta) caracteriza-se pela tolerância, pelo afeto e pelo baixo controle. Já no no estilo negligente (exigência e responsividade baixas) os pais são fracos em controlar o comportamento dos filhos e em atender suas necessidades e demonstrar afeto. Na  parentalidade ineficaz ou negligente é um forte preditor do insucesso na vida adulta numa grande variedade de áreas.

No modelo proposto por Darling e Steinberg (1993) os atributos/características parentais, influenciados pelos  objetivos de  socialização, sejam de dois tipos: estilos parentais e práticas parentais (1 e 2), e por meio destas características parentais, os pais atuam como agentes socializadores relativamente às crianças (3 e 5). E o processo de socialização, por sua vez, irá influenciar todo o processo de desenvolvimento da criança (6). De acordo com este modelo, os estilos parentais são expressos, parcialmente, através das práticas parentais (4), visto que as práticas representam alguns comportamentos a partir dos quais as crianças inferem as atitudes emocionais dos seus pais.

Figura explicativa do Modelo Integrativo de Darling e Steinberg (1993)

Figura explicativa do Modelo Integrativo de Darling e Steinberg (1993)

Fontes de pesquisa:

PAULA, João Miguel Pulquério de. Estilos parentais, inteligência emocional e o enfant terrible: relações, implicações e reflexões. Rev. Enf. Ref.,  Coimbra,  v. serIII,  n. 8, dez.  2012

WEBER, LND; BRANDENDURG, OJ; VIEZZER, AP. (2003). A relação entre o estilo parental e o otimismo da criança. Psico-USF, v. 8, n. 1, p. 71-79, Jan./Jun.

HUTZ, CS.; BARDAGIR, MP. (2006). Indecisão profissional, ansiedade e depressão na adolescência: a influência dos estilos parentais. Psico-USF, v. 11, n. 1, p. 65-73, jan./jun. 2006

COSTA, FT.; TEIXEIRA, MAP.; GOMES, WB. (2000) Responsividade e Exigência: Duas Escalas para Avaliar Estilos Parentais. Psicologia: Reflexão e Crítica, 13(3), pp.465-473

WEBER, LND; PRADO, PM; BRANDENDURG, OJ; VIEZZER, AP(2004) Identificação de Estilos Parentais: O Ponto de Vista dos Pais e dos Filhos. Psicologia: Reflexão e Crítica, 17(3), pp.323-331

BOECKEL, MG; SARRIERA, JC. (2006). Estilos parentais, estilos distribucionais e bem-estar psicológico em jovens universitários. Rev. bras. crescimento desenvolv. hum.,  São Paulo,  v. 16,  n. 3, dez.