A criança pequena e o despertar do brincar

Postado em 13 ago, 2013 - Dicas Mamães, Psicologia
Fonte: Google Imagens

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Para entender a importância do brincar para a criança, é necessário definir o que é desenvolvimento. O desenvolvimento refere-se a continuidades de mudanças sistemáticas no indivíduo; essas mudanças ocorrem desde a concepção até a morte.

Para entender melhor o significado de desenvolvimento de maneira mais completo é preciso compreender dois processos subjacentes às mudanças desenvolvimentais:

  • Maturação: corresponde ao desenvolvimento biológico do sujeito de acordo com a herança biológica da espécie, sendo parte responsável por mudanças psicológicas,como a crescente capacidade de nos concentrarmos, de resolver problemas, bem como de entendermos os pensamentos e sentimentos de outra pessoa.
  • Aprendizagem: é o processo pelo qual nossas experiências práticas produzem mudanças relativamente permanentes em nossos sentimentos, pensamentos e comportamentos.

Neste contexto de desenvolvimento, o brincar é o principal modo de expressão da infância e uma das atividades mais importantes para que a criança se constitua como sujeito da cultura. Para Piaget (1971) o desenvolvimento da criança acontece por meio do lúdico, pois, por meio deste universo a criança se satisfaz, realiza seus desejos e explora o mundo ao seu redor, tornando importante proporcionar às crianças atividades que promovam e estimulem seu desenvolvimento global, considerando os aspectos da linguagem, do cognitivo, afetivo, social e motor.

Deste modo, o lúdico pode contribuir de forma significativa para o desenvolvimento global do ser humano, auxiliando na aprendizagem e facilitando no processo de socialização, comunicação, expressão e construção do pensamento.

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O comportamento lúdico tem seu início desde os primeiros meses de vida mediante reações espontâneas e prazerosas, como por exemplo um bebê pode responder ao movimento de um brinquedo próximo de sua vista, seguindo-o com o olhar ou com o girar da cabeça, comportamentos que revelam prazer e distração.

A existência das brincadeiras infantis desde os primeiros meses de vida, a criança diverte-se  observando o movimento do seu próprio corpo com espontaneidade e satisfação.

Ao longo da infância o brincar vai evoluindo, incluindo uma das fases de maior significação,  a dramatização.

Os estudos e experimentos educacionais revelam a importância das atividades lúdicas. Os resultados são satisfatórios quando as atividades mostram-se apropriadas aos níveis do processo evolutivo da criança, a seu ritmo e a outras características de cada uma individualmente. Algumas crianças crescem mais aceleradamente que outras, algumas são mais ativas ou mais calmas, sendo até seletivas nos seus brinquedos e brincadeiras desde os primeiros meses, e as atividades lúdicas poderão modificar o comportamento delas no sentido de torna-las mais comunicativas, independentes e alegres.

De acordo com o enfoque piagetiano é por meio da integração com os brinquedos e o brincar que a criança vai construindo o seu conhecimento e promovendo as suas habilidades. Para desenvolve-las é necessário perceber e manipular os objetos, compará-los, estabelecer relações de causa e efeito etc.  Sendo na fase sensório-motora dos dois primeiros anos de vida que ocorre a primeira etapa evolutiva, o desenvolvimento cognitivo.

A  atividade lúdica está também intimamente relacionada ao desenvolvimento da linguagem na primeira infância, sendo uma função extremamente enriquecedora para a comunicação da criança. Podendo ser dividida em duas etapas: pré-linguagem, no primeiro ano e primeira linguagem, que evolui a partir do segundo ano. Na primeira etapa ocorre um progresso no repertório fonético com produção de vogais e consoantes combinadas, porém sem um sentido de expressão verbal. Produzem sons isolados seguindo vocalizações, balbuciações e progredindo para gesticulações com significações. Toda essa evolução é resultante das brincadeiras efetuadas pelos adultos.

Crescendo com o lúdico

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Ao nascer a criança dispõem de seu aparato sensorial ao reagir aos estímulos ambientais. Estas reações, em geral, são reflexas, além de outras primárias resultantes do contato com as pessoas ou devido à presença de brinquedos que exibem sons e movimentos. Com a repetição das experiências, devido as suas condições orgânicas, o bebê progride em suas reações.

A criança desenvolve seus sistema visual pela ação do olhar; o sistema auditivo pelo escutar entre outros. Os movimentos involuntários tornam-se intencionais. A variedade de movimentos vai progredindo como por exemplo  sentar, engatinhar, ficar em pé, andar, correr.

Sua linguagem inicial se expressa através do choro intencional. Percebe que chorando as suas necessidades são atendidas. Assim vai diversificando suas formas de comunicação em função de suas brincadeiras e necessidades, principalmente através das “gracinhas” habituais por parte daqueles que mantém o contato. Nesse complexo interativo surgem diversas vocalizações, balbucios, lalações, palavras-chave para atingir uma linguagem coloquial de primeira infância.

O manuseio de objetos de  tamanhos, formas, texturas e cores diferentes ampliam a sua percepção. Nesse momento faz-se necessário a estimulação, como também brincadeiras, experiências apropriadas e repetitivas. É quando a criança goza e se beneficia com as suas ações e com os demais.

Posteriormente ela utilizará recursos intermediários para provocar situações; atira um brinquedo para perceber o som da queda, seguindo o movimento com a cabeça, percebendo as relações de causa e efeito, as espaciais e temporais. Isso permitirá a representação mental dos objetos e das suas ações. Começa a entender que os objetos têm nomes e as fotos e gravuras são suas reproduções.

A emoção aparece quando demonstra satisfação ao reconhecer o rosto das pessoas que lhe aconchegam.; a rir e a sorrir como resposta às expressões e jogos ativos. Demonstram prazer e alegria com a presença dos íntimos; choro e tristeza com a sua ausência.

Sugere-se nesta fase novos tipos de brinquedos e brincadeiras, particularmente por aqueles do seu meio de convivência. É útil prosseguir com o ritmo e particularidades do processo evolutivo, sempre incentivando a criança a participar de atividades lúdicas apropriadas com alegria e satisfação.

O desenvolvimento geral da criança pode ser dividida em função dos seus progressos: do nascimento aos 4 meses; dos 4 aos 8 meses; dos 8 aos 12 meses; de 1 a 1 ano e meio;  de 1 ano e meio a dois anos. Classificam-se a utilização de brinquedos para os primeiros dois primeiros anos de vida da criança em: colo, berço, bebê-conforto, banheira, trocador de roupa, cercado, carrinho, cadeirão e quarto ou área aberta. Essa classificação é importante para o emprego apropriado de procedimentos lúdicos.

Para finalizar segue tabela que resume as atividades lúdicas com relação à idade da criança:

Mudanças na complexidade cognitiva das atividades lúdicas na primeira infância até o período pré-escolar

Tipo de brincadeiras

Idade da manifestação

Descrição

Brincadeira paralela

6 a 12 meses

Duas crianças realizam atividades semelhantes sem prestar atenção uma à outra
Brincadeira paralela consciente

1 ano

As crianças participam de brincadeiras paralelas e eventualmente olham umas para as outras ou observam suas atividades
Brincadeira de faz de conta simples

1 ano a 1 ano e meio

As crianças participam de atividades semelhantes conversando, sorrindo, compartilhando brinquedos ou interagindo de outra forma
Brincadeira mútua e recíproca

1 ano e meio a 2 anos

As crianças apresentam inversões de funções em jogos sociais, como pega-pega ou esconde-esconde.
Brincadeira cooperativa e social de faz de conta

2 anos e meio a 3 anos

As crianças desempenham papéis imaginários recíprocos, ou “fazem de conta” (ex: mamãe e filhinho), mas sem nenhum tipo de planejamento ou conversa sobre o significado desses papéis ou sobre a forma como irão brincar.
Brincadeira social complexa de faz de conta

3 anos e meio a 4 anos

As crianças efetivamente planejam a brincadeira de faz de conta. Elas indicam e designam papéis a cada participante e propõem um roteiro para brincadeira; caso ela não dê certo, elas podem pará-la para alterar o roteiro.
Fonte: Adaptado de “Sequences in the Development of Competent Play with Peers: Social and Social Pretend Play”, de C. Howes e C. C. Matheson, 1992, Developmental Psychology, 28, 961-974. Copyright 1992 da American Psychological Association.

Fonte de pesquisa:

Pérez-Ramos, A. M. Q. (2004) A criança pequena e o despertar do brincar in Oliveira, V. B. (org.) O brincar do nascimento aos seis anos. (5ª. ed.). Petrópolis: Editora Vozes

Piaget, J. (1971) A formação do símbolo na criança, imitação, jogo, sonho, imagem e representação de jogo. São Paulo: Zanhar.

Shaffer, D. R.; Kipp, K. (2012) Psicologia do desenvolvimento: infância e adolescência. São Paulo: Cengage Learning, 2012.