Qual o papel da doula?

Postado em 14 jan, 2015 - Dicas Gestantes

[denoivaparamae]_post_07Doula é uma palavra de origem grega que significa “aquela que serve”, hoje sendo utilizada para referir-se ao profissional que orienta e assiste emocionalmente outras mulheres antes, durante e após o parto.  Hoje já consta esta ocupação na Classificação Brasileira de Ocupações  (CBO) sub o número 3221-35 – Doula. Esta categoria engloba tecnólogos e técnicos em terapias complementares e estéticas, e tem como descrição das atividades profissionais:

Descrição Sumária

Aplicam procedimentos estéticos e terapêuticos manipulativos, energéticos, vibracionais e não farmacêuticos. Os procedimentos terapêuticos visam a tratamentos de moléstias psico-neuro-funcionais, músculo-esqueléticas e energéticas; além de patologias e deformidades podais. No caso das doulas, visam prestar suporte contínuo a gestante no ciclo gravídico puerperal, favorecendo a evolução do parto e bem-estar da gestante. Avaliam as disfunções fisiológicas, sistêmicas, energéticas, vibracionais e inestéticas dos pacientes/clientes. Recomendam a seus pacientes/clientes a prática de exercícios, o uso de essências florais e fitoterápicos com o objetivo de diminuir dores, reconduzir ao equilíbrio energético, fisiológico e psico-orgânico, bem como cosméticos, cosmecêuticos e óleos essenciais visando sua saúde e bem estar. Alguns profissionais fazem uso de instrumental pérfuro-cortante, medicamentos de uso tópico e órteses; outros aplicam métodos das medicinas oriental e convencional.

Seu papel portanto é oferecer conforto, encorajamento, tranquilidade, suporte emocional, físico e informativo durante o período de intensas transformações.

E antes de continuar é importante deixar bem claro o que uma Doula não faz, já que muitas vezes existe confusão de qual é o papel deste profissional.

Então, a Doula:

  • Não realiza qualquer procedimento médico ou clínico como aferir pressão, toques vaginais, monitoração de batimentos cardíacos fetais, administração de medicamentos;
  • Não discute procedimentos com a equipe ou questionar decisões;
  • Não substitui qualquer um dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto;
  • Não substitui o acompanhante escolhido pela parturiente.

Sabendo o que a Doula não faz e que este profissional não substitui em hipótese nenhuma, tanto em parto domiciliar quanto em parto hospitalar, o médico obstetra , médico pediatra neonatologista, médico anestesista, enfermeiras obstetras, obstetrizes, enfermeiras, auxiliares de enfermagem e instrumentadores cirúrgicos.

Então o que  faz uma Doula? 

Como já falamos, o papel deste profissional é oferece suporte emocional por meio da presença contínua ao lado da parturiente, provendo encorajamento e tranquilidade, oferecendo carinho, palavras de reafirmação e apoio. Favorecendo a manutenção de um ambiente acolhedor e com privacidade.

Assim o trabalho da Doula capacitada envolve além do apoio emocional, fornecer informações sobre todo o desenrolar do trabalho de parto e parto, intervenções e procedimentos necessários, para que a mulher possa participar de fato das decisões acerca das condutas a serem tomadas durante este período.

Antes do parto a Doula orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.

Durante o trabalho de parto e parto:

  • orientar a mulher a assumir a posição que mais lhe agrade durante as contrações;
  • favorecer a manutenção de um ambiente tranquilo e acolhedor;
  • auxiliar na utilização de técnicas respiratórias;
  • orientar a mulher sobre os métodos para o alívio da dor que podem ser utilizados, se necessários;
  • estimular a participação do marido ou companheiro em todo o processo;
  • apoiar e orientar a mulher durante todo o período expulsivo,incluindo a possibilidade da liberdade de escolha quanto à posição a ser adotada.

Após o nascimento:

  • informar e orientar a mulher quanto à dequitação e ao clampeamento do cordão;
  • estimular a colocação do recém-nascido sobre o abdome materno, num contato pele a pele, estimulando o início da sucção ao peito materno e favorecendo o vínculo afetivo mãe-filho; e
  • informar e orientar também quanto ao início e manutenção do aleitamento materno.

Pesquisas mostram que o parto em que uma Doula está presente tende a ser mais rápido e necessita de menos intervenções médicas. Algumas vantagens em se ter uma Doula na hora do parto são:

  • Redução de 50% nos índices de cesariana
  • Redução de 25% na duração do trabalho de parto
  • Redução de 60% nos pedidos de analgesia peridural
  • Redução de 30% no uso de analgesia peridural
  • Redução de 40% no uso de ocitocina
  • Redução de 40% no uso de fórceps 
  • Diminuição da incidência de infecção
  • Diminuição da insegurança da mãe, ocasionando um maior autocontrole e menos dor
  • Redução do risco da depressão pós-parto
  • Maior satisfação com relação ao parto
  • Alta mais rápida do bebê
  • Poucas admissões nos berçários de cuidados especiais (UTI neonatal)
  • Aumento no sucesso da amamentação
  • Interação satisfatória entre mãe e bebê
  • Satisfação com a experiência do parto
  • Redução da incidência de depressão pós-parto
  • Diminuição nos estados de ansiedade e baixa auto-estima

De acordo com a Organização Mundial de Saúde :

O apoio físico e empático contínuo oferecido por uma única pessoa durante o trabalho de parto traz muitos benefícios, incluindo um trabalho de parto mais curto, um volume significativamente menor de medicações e analgesia epidural, menos escores de Apgar abaixo de 7 e menos partos operatórios.

O apoio da doula, além de melhorar a vivência experimentada pelas mulheres que dão à luz, parecem ter uma influência direta e positiva sobre a saúde das mulheres e dos recém-nascidos. Devem, portanto, ser estimuladas em todas as situações possíveis. (…) O acompanhamento da parturiente pela doula reduz a duração do trabalho de parto, o uso de medicações para alívio da dor e o número de partos operatórios. Alguns estudos também mostram a redução do número de cesáreas. Também é observado que os grupos de parturientes acompanhadas durante o parto pela doula têm menos depressão pós-parto e amamentam seus recém-nascidos nas primeiras seis semanas de vida em maior proporção que as parturientes dos grupos de controle.

Todas as atividades desenvolvidas pelas Doulas, além de melhorar a vivência experimentada pelas mulheres que dão à luz, influenciam direta e positiva sobre a saúde destas mulheres e dos recém-nascidos. Devendo, portanto, ser estimuladas a presença das Doulas em todas as situações possíveis.

Fontes: