Parto humanizado: o que é?

Postado em 25 mai, 2014 - Dicas Gestantes
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Fonte: Google Imagens

A partir de 2000 foi introduzida a política pública federal a proposta de humanização da assistência à saúde. Sendo assim, a humanização do parto não significa mais uma “modinha“, ou nova técnica ou mais conhecimento, mas, sim, o respeito à fisiologia do parto e à mulher.

Um outro ponto de extrema relevância a ser esclarecido é que o termo “Parto humanizado” não pode ser entendido como um “tipo de parto”, onde alguns detalhes externos o definem como tal, como o uso da água ou a posição, a intensidade da luz, a presença do acompanhante ou qualquer outra variável. A Humanização do parto é um processo e não um produto.

“Quando você humaniza um parto, a grávida fica mais livre para escolher o que a faz se sentir melhor. Pode andar durante o trabalho de parto e escolher quem quer ao seu lado, por exemplo”, diz a enfermeira obstétrica Helen Mendes, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. 

PROGRAMA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA HOSPITALAR diz que:

É seu objetivo fundamental aprimorar as relações entre profissional de saúde e usuário,  dos profissionais entre si e do hospital com a comunidade. Ao valorizar a dimensão humana e subjetiva, presente em todo ato de assistência à saúde

Além do PNHAH temos o documento da OMS Care in Normal Birth: a practical guide (Atenção no parto normal: um guia prático),  preconiza as boas práticas para o parto normal.

Humanizar o parto é um conjunto de condutas e procedimentos que promovem o parto e o nascimento saudáveis, pois respeita o processo natural e evita condutas desnecessárias ou de risco para a mãe e o bebê (OMS, 200)

A Organização Mundial da Saúde (OMS)  orientando para o que deve e o que não deve ser feito no processo do parto. Esta classificação foi baseada em evidencias científicas concluídas através de pesquisas feitas no mundo todo.

As principais recomendações são:

  • plano de parto;
  • assistência individualizada;
  • oferecer líquidos;
  • dar à mãe a possibilidade de escolher o local do parto;
  • garantir privacidade;
  • ofertar atendimento empático;
  • respeitar o direito ao acompanhante;
  • oferecer informações;
  • evitar métodos invasivos de controle da dor, privilegiar os não farmacológicos;
  • dar liberdade de posições;
  • promover o contato pele a pele entre mãe e bebê.

Vejas as recomendações da OMS para a assistência ao parto aqui.

Mas, é extremamente importante que a gestante se prepare para o parto fazendo um bom pré-natal para saber se a sua saúde e a do bebê estão bem – só assim é possível realizar um parto sem intervenções, bem como procurar um obstetra que goste e saiba conduzir um parto desta forma.

Podemos então concluir que ou a assistência à saúde e ao parto e nascimento é de acordo com as evidências científicas ou não é. Portanto, o Parto humanizado é, na verdade, o parto baseado em evidências científicas e não uma  simples “modinha”.

Segue um resumo de alguns pontos do parto humanizado:

  • Pré-natal – Avalia a saúde física da mulher, incluindo todos os exames recomendados pela OMS, e também dá grande ênfase ao preparo emocional da mulher para o parto e a maternidade.
  • Início do trabalho de parto – Costuma ser espontâneo, ainda que o tempo de gestação ultrapasse as 40 semanas (com consultas e exames mais frequentes após 41 semanas).
  • Ruptura da bolsa – Costuma acontecer naturalmente, de forma espontânea, ao longo do trabalho de parto.
  • Duração do trabalho de parto- Respeita-se o ritmo natural do nascimento, que varia muito de um parto para o outro.
  • Posição durante o trabalho de parto- A mulher tem liberdade para escolher e alternar posições. Pode sentar na bola de parto, deitar na banheira, ficar de quatro sobre cama, acocorar-se nas contrações entre outras.
  • Anestesia- É uma escolha da mulher, que é incentivada a dar preferência a métodos naturais de alívio da dor, como massagens, banhos mornos e o suporte físico e emocional de uma doula (acompanhante de parto). Quando a mulher decide pelo alívio medicamentoso, é feita uma analgesia, que tira a dor, mas não os movimentos.
  • Local – Hospital (suíte de parto normal, com chuveiro, banheira e bola de parto), em casa de partos ou em casa (apenas para gestantes de baixo risco).
  • Episiotomia (corte no períneo)- Realizada raramente, apenas se absolutamente necessário.
  • Contato com o bebê após o nascimento- Se o bebê nasce bem (o que é o caso da maioria), a prioridade do pediatra é garantir o contato pele a pele do recém-nascido com a mãe. O bebê é apenas enxugado e coberto com panos macios, no colo da mãe. São oferecidas todas as condições para que ocorra a amamentação na primeira hora de vida. A aspiração é feita apenas se for realmente necessário. O cordão é cortado só depois que para de pulsar.
  • Participação da mulher- Compartilha a tomada de decisões com a equipe responsável pela assistência ao parto, que pode contar com médico ou parteira (enfermeira obstetra ou obstetriz). No segundo caso, o obstetra fica na retaguarda e é acionado apenas se necessário.