O Método Mãe Canguru

Postado em 21 mai, 2013 - Dicas Gestantes, Psicologia
Fonte: Google Imagens

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Falamos aqui que os os benefícios neurofisiológicos do sling são semelhantes com o método mãe canguru.

Mas o que é o método mãe canguru?

O método Mãe-Canguru é um tipo de assistência neonatal, baseada no contato pele a pele, precoce e progressivo, entre pai, mãe e bebê até se atingir a posição canguru.

O método surgiu em Bogotá, na Colômbia, com Héctor Martinez, médico neonatologista, e Edgar Rey Sanabria, do Hospital San Juan de Dios Instituto Materno Infantil (IMI) no ano de 1979, no intuito de diminuir a mortalidade neonatal elevada naquele país. A ideia era a de que a colocação do recém-nascido contra o peito da mãe promoveria maior estabilidade térmica, substituindo as incubadoras, permitindo alta precoce, menor taxa de infecção hospitalar e, conseqüentemente, melhor qualidade da assistência com menos custos para o sistema de saúde.

O método é um procedimento usado para recém-nascidos prematuros ou com baixo peso. Ele diminui o tempo na incubadora e permite que a mãe fique com o filho no colo a maior parte do tempo, em amamentação ou não. Assim, o pequeno recebe o alimento para o corpo e a vida.

O nome vem do modo como os cangurus criam os filhotes, bem juntinhos, numa bolsa. No Mãe Canguru, o bebê fica na posição vertical, junto ao seio materno, em contato direto com a pele da mãe. Essa técnica promove o aleitamento materno, favorece o crescimento do bebê, protege contra doenças graves até os 6 meses de idade e contribui para diminuir custos com saúde.

No Brasil, os primeiros hospitais a trabalharem a posição canguru foram os hospitais Guilherme Álvaro, em Santos e, em seguida o Instituto Materno Infantil de Pernambuco e a Maternidade Leila Diniz no Rio de Janeiro. A partir de então, vários hospitais brasileiros começaram a realizar as posturas de colocação do recém-nascido sobre o peito da mãe.

O Ministério da Saúde, através da área técnica de Saúde da Criança e com a colaboração de renomados consultores de diferentes especialidades responsáveis pela atenção à mulher e ao recém-nascido de baixo peso, padronizou este tipo de atendimento no Brasil para mudar o paradigma da atenção ao recém nascido, humanizando os cuidados técnicos.

Em junho de 1999, o Ministério da Saúde criou a norma de atenção humanizada ao recém nascido de baixo peso. Entidades como o Unicef fizeram parte da criação da norma. Em 2000, o ministério instituiu a implantação do Projeto Mão Canguru nas maternidades de referência em gestações de alto risco.

O Método Canguru é uma política pública e está sendo ampliado e fortalecido no Brasil, uma vez que foi incorporado às ações do
Pacto de Redução da Mortalidade Materna e Neonatal. Resultado de trabalho intenso realizado pelo Ministério da Saúde, com o apoio de consultores, este manual demonstra que é possível prestar uma atenção perinatal segura, de elevada qualidade e, ao mesmo tempo, solidária e humanizada.

FASES

O método é desenvolvido em três etapas: na primeira, quando o recém-nascido está impossibilitado de ficar junto à mãe e necessita de internação na unidade neonatal, inicia-se o contato direto pele a pele entre a mãe e o bebê, progredindo até a colocação do bebê sobre o tórax da mãe ou do pai.

Na segunda fase, a saúde do recém-nascido está estabilizada e ele pode contar com o acompanhamento contínuo da mãe. A posição canguru é mantida pelo maior tempo possível, como se fosse um estágio para a alta hospitalar.

Na terceira etapa, o bebê já recebeu alta hospitalar, mas ainda necessita de acompanhamento ambulatorial para avaliações de seu desenvolvimento físico e psicológico pela EQUIPE MULTIDISCIPLINAR. Nesse período, o método também é aplicado continuamente.

A equipe multidisciplinar é composta por assistentes sociais, auxiliares de enfermagem, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, neonatologistas, nutricionistas, obstetras, oftalmologista, pediatras, psicólogos e terapeutas ocupacionais.

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VANTAGENS

– Aumentar o vínculo mãe-filho;
– Menor tempo de separação mãe-filho, evitando longos períodos sem estimulação sensorial;
– Estímulo ao aleitamento materno, favorecendo maior freqüência, precocidade e duração;
– Maior competência e confiança dos pais no manuseio do seu filho de baixo-peso, mesmo após a alta hospitalar;
– Melhor controle térmico;
– Menor número de recém-nascidos em unidades de cuidados intermediários,  devido à maior rotatividade de leitos;
– Melhor relacionamento da família com a equipe de saúde;
– Diminuição de infecção hospitalar;
– Menor permanência hospitalar.

POPULAÇÃO ATENDIDA

– Gestantes com situações clínicas ou obstétricas com maior risco para o nascimento de crianças de baixo-peso;
– Recém-nascidos de baixo peso, desde o momento de admissão na Unidade Neonatal até a sua alta hospitalar, quando deverão ser acompanhados por ambulatório especializado;
– Mães e pais, que com suporte da equipe de saúde deverão ter contato com o seu filho o mais precocemente possível e, com orientação adequada, participar do programa.

APLICAÇÃO DO MÉTODO

– Orientar a mãe e a família sobre as condições de saúde da criança
– Ressaltar sempre a importância da atuação da mãe e da família na recuperação da criança.
– Após o parto, os primeiros cinco dias deverão ser utilizados para prestar todos esses ensinamentos à mãe e à família.
– Após o período de adaptação e treinamento, a mãe e a criança estarão aptas a permanecerem em enfermaria conjunta onde a posição-canguru será realizada pelo maior tempo possível.

Para finalizar deixo o link do manual  Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso: Método Canguru, Manual TécnicoEste manual integra o conjunto de medidas adotadas pelo Ministério da Saúde para melhoria da qualidade da atenção a saúde prestada à gestante, ao recém‑nascido e sua família, a partir do Método Canguru, definido como um modelo de assistência perinatal.

Fontes de pesquisa:

Miltersteiner, Aline R, Miltersteiner, Diego R, Rech, Viviane V, & Molle, Lucas Dalle. (2003). Respostas fisiológicas da Posição Mãe-Canguru em bebês pré-termos, de baixo peso e ventilando espontaneamente. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil 3(4), 447-455. Retrieved May 21, 2013,

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/periodicos/informesaude/informe212.pdf

http://www.saude.se.gov.br/maternidade/index.php?act=interna&secao=49