Ingurgitamento mamário, hiper-lactação e idade para o desmame

Postado em 17 jan, 2013 - Dicas Gestantes, Dicas Mamães

O post de hoje é a resposta para uma mamãe de gêmeos…A mamãe tem 34 anos, é psicóloga e os gêmeos estão 1 ano de idade.

Dúvida enviada.

“Bom como eu tenho dois bebês mamando meu fluxo de produção de leite é grande e apesar de já ter voltado a trabalhar há 8 meses, meu peito ao final do dia fica cheio de leite e as vezes fico cheia de pedra de leite, sinto uma dor terrível, as vezes preciso sair mais cedo do trabalho porque vaza. Minha pergunta é – isso é normal? A maioria das pessoas dizem que o leite para de encher depois de um tempo, só aparece leite quando o bebê suga, porque comigo está acontecendo diferente? Inclusive eles tem muito prazer em amamentar e eu nem falo, sinto-me realizada, mas esta situação esta gerando em mim um desejo enorme de parar de amamentar. Me ajude! O que devo fazer? Estou num conflito gigantesco, sinto a dor física no peito, mas quando penso em parar sinto uma dor emocional enorme.”

Resposta

 1- Quanto à idade para o desmame

Segundo as recomendações da OMS, o leite materno deve satisfazer todas as necessidades dietéticas de um bebê nos primeiros seis meses e não há qualquer vantagem, em termos de nutrição, em desmamá-lo antes desta idade. No entanto, a idade ideal para o desmame ainda está em debate porque os bebês são todos diferentes e têm necessidades diferentes.

Segundo diversas teorias, o período natural de amamentação seria de 2,5 a sete anos. A Organização Mundial da Saúde recomenda aleitamento materno por dois anos ou mais, sendo exclusivo nos primeiros seis meses.

Mesmo com esta recomendação, muito poucas mulheres no Brasil amamentam por mais de dois anos. Uma parcela de mães, apesar de demonstrar desejo em continuar a amamentação, sente-se pressionada a desmamar por profissionais de saúde, seus maridos, parentes, vizinhos e amigos. Pois, para a manutenção do paradigma que sustenta a afirmação de que amamentação prolongada não é natural, foi necessário criar vários mitos tais como o de que uma criança jamais desmama por si própria, que a amamentação prolongada é um sinal de problema sexual ou necessidade materna e não da criança e que a criança que mama fica muito dependente. Algumas mães, de fato, desmamam para promover a independência da criança. No entanto, é importante lembrar que o desmame provavelmente não vai mudar a personalidade da criança.

 1.1 Sinais sugestivos de que a criança está madura para o desmame

  • Idade maior que um ano
  • Parece insatisfeito depois de mamar e mais faminto do que o normal
  • Menos interesse nas mamadas
  • Aceita variedade de outros alimentos
  • É segura na sua relação com a mãe
  • Aceita outras formas de consolo
  • Aceita não ser amamentada em certas ocasiões e locais
  • Às vezes dorme sem mamar no peito
  • Mostra pouca ansiedade quando encorajada a não amamentar
  • Às vezes prefere brincar ou fazer outra atividade com a mãe ao invés de mamar

 

1.2. Encorajando o bebê a desmamar: facilitadores

  • Mãe segura de que quer (ou deve) desmamar
  • Entendimento da mãe de que o processo pode ser lento e demandar energia, tanto maior quanto menos pronta estiver a criança
  • Flexibilidade, pois o curso é imprevisível
  • Paciência (dar tempo à criança) e compreensão
  • Suporte e atenção adicionais à criança – mãe não deve se afastar neste período
  • Ausência de outras mudanças ocorrendo: Ex.: controle dos esfincteres
  • Sempre que possível, desmame gradual, retirando uma mamada do dia a cada 1-2 semana

 

A técnica utilizada para fazer a criança desmamar varia de acordo com a idade da mesma. Se a criança for maior, o desmame pode ser planejado com ela. Pode-se propor uma data, oferecer uma recompensa. A mãe pode começar não oferecendo o seio, mas também não recusando. Pode também encurtar as mamadas e adiá-las. Mamadas podem ser suprimidas distraindo a criança com brincadeiras e entretendo a criança com algo que lhe prenda a atenção. A mãe pode também evitar certas atitudes que estimulam a criança a mamar, por exemplo, não sentar na poltrona em que costuma amamentar.

Algumas vezes, o desmame forçado gera tanta ansiedade na mãe e no bebê, que é preferível adiar um pouco mais o processo, se possível. A mãe pode, também, optar por restringir as mamadas a certos horários e locais.

Deve-se estar preparadas para as mudanças físicas e emocionais que o desmame pode desencadear, tais como: mudança de tamanho das mamas, mudança de peso e sentimentos diversos tais como alívio, paz, tristeza, depressão, culpa e arrependimento.

2-Ingurgitamento mamário e  hiper-lactação

No ingurgitamento mamário, há três componentes básicos: congestão/aumento da vascularização, acúmulo de leite e edema decorrente da congestão e obstrução da drenagem do sistema linfático. O aumento da pressão intraductal faz com que o leite acumulado sofra um processo de transformação em nível intermolecular, tornando-se mais viscoso. Daí a origem do termo leite empedrado. É importante diferenciar o ingurgitamento fisiológico do patológico. O primeiro é discreto e representa um sinal positivo de que o leite está descendo. Não requer intervenção. Já no ingurgitamento patológico, a distensão tecidual é excessiva, causando grande desconforto, às vezes acompanhado de febre e mal-estar. A mama encontra-se aumentada de tamanho, dolorosa, com áreas difusas avermelhadas, edemaciadas e brilhantes. Os mamilos ficam achatados, dificultando a pega do bebê, e o leite muitas vezes não flui com facilidade. Costuma ocorrer com mais freqüência em torno do terceiro ao quinto dia após o parto e geralmente está associado a um dos seguintes fatores: início tardio da amamentação, mamadas infrequentes, restrição da duração e freqüência das mamadas, uso de suplementos e sucção ineficaz do bebê.

O ingurgitamento pode ficar restrito à aréola (areolar) ou ao corpo da mama (periférico) ou pode acometer ambos. Quando há ingurgitamento areolar, a criança pode ter dificuldade na pega, impedindo o esvaziamento adequado da mama, o que piora o ingurgitamento e a dor.

Você pode também durante as horas de trabalho podem tirar (ordenhar) o seu leite e guardá-lo em geladeira por até 24 horas ou no congelador ou freezer por até 15 dias. Este leite pode ser oferecido para a criança quando a mãe estiver fora de casa, de preferência com um copinho, para que o neném não se confunda com diferentes maneiras de sugar.

2.1. Prevenção

 As seguintes recomendações são úteis na prevenção do ingurgitamento mamário:

  1.  iniciar a amamentação o mais cedo possível;
  2. amamentar em livre demanda;
  3. amamentar com técnica correta;
  4. evitar o uso de suplementos.

 

2.2. Possibilidades de tratamento

 Uma vez instalado o ingurgitamento, recomendam-se as seguintes medidas:

  1. se a aréola estiver tensa, ordenhar manualmente um pouco de leite antes da mamada, para que ela fique macia o suficiente para o bebê abocanhar a mama adequadamente;
  2. amamentar com freqüência, em livre demanda;
  3. fazer massagens delicadas nas mamas – importantes na fluidificação do leite viscoso e no estímulo do reflexo de ejeção do leite;
  4. usar analgésicos sistêmicos/anti-inflamatórios (ibuprofeno é considerado o mais efetivo, auxiliando também na redução da inflamação e do edema; paracetamol pode ser usado como alternativa);
  5. usar suporte para as mamas ininterruptamente; usar sutiã com alças largas e firmes, para alívio da dor e manutenção dos ductos em posição anatômica;
  6. usar compressas mornas para ajudar na liberação do leite;
  7. usar compressas frias após ou nos intervalos das mamadas para diminuir o edema, a vascularização e a dor.

 

Se o bebê não sugar, a mama deve ser ordenhada manualmente ou com bomba de sucção. O esvaziamento da mama é essencial para dar alívio à mãe, diminuir a pressão mecânica nos alvéolos, aliviar o obstáculo à drenagem da linfa e edema, diminuir o risco de comprometimento da produção do leite e, sobretudo, da ocorrência de mastite.

2.3. Estratégias para abaixar a produção de leite. 

Mudar a maneira de amamentar pode reduzir a quantidade de leite produzido e a quantidade de lactose recebida, aumentando ao mesmo tempo a quantidade de gordura produzida. As mães com superprodução produzem quantidade de leite suficiente em cada peito para uma mamada completa. Uma estratégia é alimentar o bebê com um só peito de cada vez. Se o bebê quer mamar de novo duas horas depois, veja como ele reage ao oferecer o mesmo peito de novo. Nas duas horas seguintes ofereça-lhe somente o outro lado. Os peitos devem assim gradualmente moderar a produção de leite, uma vez que este está sendo mamado com menos freqüência. Se depois de tentar estas técnicas, a alimentação não melhorar de maneira significativa, pode ser necessário tomar medidas mais enérgicas para reduzir a produção de leite. Em certas situações pode ser necessário o uso de medicações que contêm estrógeno e progesterona, pode ser usado para reduzir a produção em um nível mais apropriado

Bem mamãe, mesmo com todas as informações cientificas siga o seu tempo!! O desmame deve ocorrer de forma gradual e segura tanto para você quanto para os bebês.

Com relação à hiper-lactação, tente retirar o leite com uma bomba de sucção e armazenar ou doar.

Recomendo também, que consulte seu ginecologista para analisar a possibilidade de utilização de medicações para redução do incomodo causado pelo ingurgitamento mamário.

Fontes de pesquisa:

The Baby Owner’s Manual: Operating Instructions, Trouble-Shooting Tips, and Advice on First-Year Maintenance

Sociedade Brasileira de Pediatria

Organização Mundial de Saúde