Gravidez tardia

Postado em 12 nov, 2013 - Dicas Gestantes
Fonte: http://www.sxc.hu/

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A expectativa de vida tem aumentado a cada ano e este fator acarretou em mudanças de planos para o futuro, incluindo a idade da chegada dos filhos. Antigamente, a expectativa de vida girava em torno dos 45, 50 anos, as mulheres casavam cedo e tinham filhos logo. Hoje, espera-se que vivam muito mais e não são poucas as que chegam aos 90 anos. Outro fator importante é que a mulher estabeleceu prioridades além de casar e ter filhos e foi postergando a data de ser mãe.

O adiamento da gravidez é uma escolha muito comum das mulheres atualmente, sendo uma tendência mundial. Com isto, o número de grávidas ou mulheres tentando engravidar na faixa entre 30 e 40 anos tem aumentado nos últimos anos. São muitos os fatores envolvidos na decisão de adiar a maternidade: a estabilidade profissional, a espera por um relacionamento estável, o desejo de atingir segurança financeira, ou, ainda, a incerteza sobre o desejo de ser mãe. Entretanto é importante alertar estas mulheres sobre as consequências desta decisão: a idade afeta a capacidade reprodutiva feminina.

O critério sobre a idade ideal para dar à luz evoluiu com o tempo. Na década de 1960, considerava-se ideal a faixa entre os 18 e os 25 anos. Quando a mulher dava à luz pela primeira vez depois dos 25 anos, era classificada de primigesta idosa. Hoje, admite-se que a idade “ideal” para a primeira gravidez vai dos 20 aos 30 anos. Diante da tendência de as mulheres engravidarem mais tarde, é possível que, daqui a alguns anos, esses números sejam revistos e o período alargado significativamente.

De modo geral, o universo feminino mudou muito a partir de 1960. As mulheres foram para as universidades e passaram a disputar espaço no mercado de trabalho. Além disso, o desenvolvimento de métodos anticoncepcionais seguros permitiu definir o melhor momento para engravidar. Diante dessas novas possibilidades de desenvolvimento pessoal e carreira algumas mulheres passaram a optar por ter filhos mais tarde, depois dos 35 anos.

Pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 7,3% das mães têm entre 35 e 39 anos e 2% possuem entre 40 e 44 anos. Pode parecer pouco, mas confirma uma tendência que é sentida principalmente nas grandes cidades, quando as mulheres colocam a carreira e outras realizações à frente do sonho de ser mãe.

Existe muita preocupação com a gravidez tardia, considerada de risco, mas esta poderá correr tranquilamente, se a mulher contar com o acompanhamento médico adequado. Contudo, a faixa etária materna não deve ser encarada como um fator meramente biológico que, isoladamente, pode acarretar complicações para a mãe e seu filho. Destaca-se que mais importante do que a idade, seriam as condições de vida e saúde das gestantes, principalmente, a qualidade da assistência obstétrica no pré-natal e no parto.

Depois dos 35 anos, a gestante é considerada de alto risco para diabetes. Por isso, todos os meses, deve fazer um exame de glicemia em jejum para dosar o nível de açúcar no sangue e, por volta de 28 semanas de gestação (sete meses), um teste de tolerância à glicose. Esse exame requer que ela chegue ao laboratório em jejum para receber 100 gr de glicose e colher sangue de hora em hora durante quatro horas. Além disso, é preciso controlar a pressão arterial e, se necessário, entrar com medicação.

Fonte: Google Imagens

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O ideal é que o pré-natal comece antes da concepção. Por isso, a mulher deve procurar o médico antes de engravidar. Nesse momento, é importante fazer exames laboratoriais de rotina (hemograma, tipagem sanguínea, sorologias, exame de urina) e uma avaliação clínica, uma vez que o ginecologista está virando o clínico geral da mulher. Se tudo estiver bem, recomenda-se que tome ácido fólico, uma vitamina do complexo B, para diminuir o risco de malformação do sistema nervoso central do bebê.

A principal preocupação de uma gravidez depois dos 35 anos é quanto ao risco mais elevado de gerar um bebê com problemas cromossômicos. As chances de isso ocorrer aumentam a cada ano que passa na vida fértil de uma mulher, sendo a probabilidade de conceber um filho com síndrome de Down (um dos maiores problemas na idade avançada) e do procedimento invasivo para fazer o diagnóstico é de um em cada 300 casos.

 É bom lembrar, contudo, que a maioria das mulheres desse grupo têm gestações normais e bebês saudáveis. Isso porque não é só a idade que conta, mas também a saúde em geral da mulher antes de engravidar — o que é uma ótima notícia, já que se trata de algo que você pode controlar.

Mesmo com todas as preocupações e cuidados necessários existe um lado bom!! Geralmente, quando a maternidade acontece tardiamente, a mulher tem maior equilíbrio emocional para criar o filho. Do ponto de vista psicológico, o estresse e a depressão diminuem. As mulheres que decidem ter um bebê mais tarde, geralmente têm consciência de que precisam melhorar o seu estilo de vida para favorecer a sua própria saúde e a do bebê. Elas adotam com maior facilidade as recomendações para fazerem atividades físicas e manterem uma alimentação controlada para evitar ou controlar problemas cardíacos, diabetes, hipertensão e colesterol alto.

Fontes de pesquisa:
SANTOS, GHN; MARTINS, MG; SOUSA, MS; BATALHA, SJC. (2009) Impacto da idade materna sobre os resultados perinatais e via de parto. Rev. Bras. Ginecol. Obstet., Rio de Janeiro,  v. 31,  n. 7.
SILVA, JLCP; SURITA, FGC. (2009) Idade materna: resultados perinatais e via de parto. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.31, n.7 [
XIMENES, FMA; OLIVEIRA, MCR. (2004) influência da idade materna sobre as condições perinatais. Revista Brasileira em Promoções da Saúde, 17(1).