Depressão pós-parto e baby blues

Postado em 10 dez, 2014 - Dicas Gestantes, Dicas Mamães, Psicologia
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É esperado por muitos que a chegada de um filho seja uma experiência vivenciada como a maior alegria e empolgação que se pode ter. Porém a realidade, em muitos casos, se mostra diferente desta expectativa.

Na ocasião do nascimento de um filho, a maioria das mulheres experimentam sentimentos contraditórios e inconciliáveis com a imagem idealizada e romanceada de mãe acolhedora, tranquila, compreensiva, capaz de enormes sacrifícios. E, diante da crise de identidade instaurada pela maternidade, do novo papel social e da responsabilidade pelos cuidados do bebê, podem surgir  a depressão pós-parto e o baby blues. Assuntos ainda cercados de mistérios, pouco abordados e divulgados, porém mais comum do que se imagina.

Assim, é importante compreender os aspectos psicológicos que permeiam o período grávido-puerperal.

A gestação de uma nova vida, na maioria das vezes, proporciona grande alegria e realização para a mulher. Na gravidez, o corpo feminino apresenta transformações que garantem o desenvolvimento do feto e preparam seu nascimento. O psiquismo da mulher durante esta fase, também necessita de adaptações peculiares à nova identidade que começa a surgir: a de mãe.

É durante esse período que a mulher tem que passar da condição de só filha para a de também mãe, além de ter de reajustar seu relacionamento conjugal, sua situação socioeconômica e suas atividades profissionais. Todas estas mudanças são mais impactantes durante a primeira gestação.

Por ser o período mais rico e intenso de vivências emocionais e que por si só traz, para o relacionamento familiar, novas atitudes e responsabilidades, percebemos como é fundamental o compartilhar e o esclarecimento das ansiedades e preocupações que envolvem a decisão de se ter um filho. Por isto, a gestação e o puerpério são períodos da vida da mulher que precisam ser avaliados com especial atenção que podem refletir diretamente na saúde mental dessas pacientes.

Durante a gestação a mulher está vulnerável, exposta a múltiplas exigências, bem como vivencia um período de reorganização corporal, bioquímica, hormonal, familiar e social que a faz ficar propensa a uma multiplicidade de sentimentos. A ansiedade é um componente emocional que pode acompanhar todo o período gestacional e é caracterizada por um estado de insatisfação, insegurança, incerteza e medo da experiência desconhecida.

Dessa forma, a gestação é um período que envolve grandes mudanças biopsicossociais, ou seja, há transformações não só no organismo da mulher, mas também no seu bem-estar, o que altera seu psiquismo e o seu papel sociofamiliar. A intensidade das alterações psicológicas dependerá de fatores familiares, conjugais, sociais, culturais e da personalidade da gestante, devendo-se levar em conta o fato de ser a gravidez um período que envolve não apenas a mulher, mas também o seu companheiro e o seu meio social imediato.

Além da forte influência dos hormônios sobre o psiquismo da gestante, outros fatores como características individuais e de personalidade, o momento de vida em que ocorreu a gravidez, se esta foi planejada ou não, a qualidade do relacionamento conjugal ou com o pai do bebê e o apoio familiar, são determinantes na maneira e intensidade como ela irá sentir todo este processo. Do ponto de vista hormonal, a progesterona, os corticosteróides e as catecolaminas exercem efeito sobre o comportamento introspectivo e sobre as oscilações entre depressão e euforia bastante comuns durante a gestação e puerpério.

Depois desta breve explicação do que acontece durante a gestação fica então a pergunta, o que é o baby blues (tristeza materna)?

A tristeza materna é quase fisiológica, podendo acometer de 50% a 80% das mulheres e têm início em geral no terceiro dia depois do parto,  podendo durar uma semana ou quinze dias no máximo, e desaparece espontaneamente.

A mãe pode se sentir exultante em alguns momentos e logo em seguida muito sentimental e chateada, chorando sem nenhum motivo em particular. Essa tristeza pode ser causada em parte pelas mudanças repentinas nos níveis de hormônio feminino após o parto, e em parte pelo próprio choque emocional do parto, que marca o início da percepção concreta da responsabilidade de ter que cuidar de um novo ser e de todas as mudanças que uma mãe e sua família têm que suportar.

Já a depressão pós-parto  é uma condição mais séria e mais duradoura do que a tristeza materna.
Podendo afetar a mãe logo após o nascimento do bebê, tendo início em geral depois de sua saída do hospital, ou quando não há mais os cuidados de um obstetra. Pode também apresentar um desenvolvimento gradativo, surgindo a qualquer momento do primeiro ano do bebê.

Estima-se que de 25 a 35% das mulheres apresentam sintomas depressivos na gravidez e que até 20% das mulheres podem preencher os critérios para depressão. Sabe-se que os índices de sintomas depressivos são mais altos durante o terceiro trimestre do que seis meses após o parto. Já no pós parto de 10 a 15%  das mulheres apresentam sintomas depressivos.

Veja alguns sinais que significam que tanto você como sua família podem precisar de ajuda:

  • Sentir-se acabada e triste a maior parte do tempo.
  • Sentir-se assustada, em pânico e ansiosa sem motivo.
  • Incapaz de apreciar a vida (incluindo a perda de interesse por sexo).
  • Incapaz de desejar coisas e rir.
  • Sentir-se inútil ou sem valor, um fracasso, e culpar-se sem necessidade quando as coisas dão errado.
  • Ter ideias de se ferir e até pensamentos suicidas.
  • Tudo parece ser um peso insuperável.
  • Incapaz de tomar as menores decisões.
  • Dificuldade para concentrar-se e lembrar das coisas.
  • Evitar os amigos e o contato social
  • Incapaz de dormir ou comer ou, alternativamente, ter vontade de dormir ou comer o tempo todo.
  • Ter sintomas físicos como dores diversas, dores de cabeça e maior vulnerabilidade a infecções.

O que é muito importante lembra é que tanto o baby blues quanto a depressão não é culpa da mãe, que afeta muitas mulheres e que não há motivo para se envergonhar. É uma realidade que pode e deve ser tratada.

Mas o que é possível ser feito?

Além do tratamento medicamentoso, da psicoterapia e da ajuda da família e dos amigos, é importante procurar  redes de convivência em que as mães possam partilhar as experiências com outras mulheres. O importante em todo este processo é partilhar angústias, medos e ansiedades com outros, de modo a minimizar os sentimentos experienciados nestas situações e a devolver à mulher a alegria de ter um filho nos braços.

Algumas dicas podem ajudar:

  • Converse com alguém em quem confie sobre a forma como se sente, sem sentimentos de culpa.
  • Quando possível saia de casa para respirar ar fresco. Dê um passeio com o cão e converse com os vizinhos. Mudar de ambiente, nem que seja só por alguns minutos, pode fazer uma enorme diferença.
  • Não esqueça de si e cuide da sua aparência. Vá ao cabeleireiro. Arrume-se todos os dias de manhã mesmo que não tenha planos para sair de casa ou receber visitas. Sentir-se bem consigo promove sentimentos de auto estima elevados.
  • Aproveite todos os momentos para descansar e relaxar. Durma enquanto o seu filho dorme.
  • Peça ajuda. Ajuda para preparar as refeições, para limpar a casa e fazer as compras no supermercado. Vá estabelecendo a sua própria rotina, concentrando-se na alegria de ter um novo bebê e não na pressão de ser a super mulher.
  • Limite o número de visitas a casa para conhecer o bebê nos primeiros dias. A pressão de receber bem, de estar impecável, com a casa super arrumada e um lanche de hotel, não a vão ajudar.