Como nasce uma mãe?

Postado em 10 mai, 2014 - Dicas Gestantes, Dicas Mamães

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No momento em que uma criança nasce, a mãe também nasce. Ela nunca existiu antes. A mulher existia, mas a mãe, nunca. Uma mãe é algo absolutamente novo. (Rajneesh)
Tudo depende da mãe, de sua história e  da História. Não, não há uma lei universal nessa matéria, que escapa ao determinismo natural. O amor materno não é inerente às mulheres. É “adicional”. (E. Badinter)

Ninguém nasce  mãe e, embora seja como filhos que todos “nasçamos”, a filiação e a maternidade não são, entre os seres humanos, processos intrinsecamente biológicos, propriamente naturais ou instintivos.

Quando nasce uma mãe , nasce uma mãe para a vida inteira, com um amor maior do que tudo, uma afetuosidade sem tamanho por um ser pequenino e dependente. Um amor que não era conhecido e que transforma e nos vira da mulher, agora mãe, do avesso.  Mas, nascem também todas as inseguranças, alegrias, culpas, maravilhas e encantamentos possíveis, é uma mulher diferente que se apresenta ao mundo. E assim é simples afirmar que quando nasce um bebê, nasce também uma mãe.

Mas é só isto? O sentimento de amor profundo, o famoso instinto materno nasce como mágica?

A forma como é vivenciada a maternidade está associada às características individuais e à atmosfera cultural que envolve a mulher. Se pensarmos que desde pequenas somos “ensinadas” a maternar quando as meninas ganham bonecas, aprendem a trocar as fraldinhas, a ninar e a gostar de cuidar de suas “filhas”.

Mas se tornar mãe passar apenas por questões culturais?

Bem, durante a gestação a mulher é bombardeada por hormônios, e entre eles a ocitocina e a prolactina, que são responsáveis, em parte, pelo amor e instinto protetor materno. A presença desses hormônios na corrente sanguínea da mãe faz com que haja muitas mudanças no seu corpo e no seu comportamento.

  • Ocitocina: A ocitocina é produzida em uma região do cérebro chamada hipotálamo, essa substância é responsável pelo chamado “Instinto maternal”, ela faz despertar o ímpeto protetor, por esse motivo, as mães não conseguem deixar de atender o seu bebê prontamente, logo ao primeiro som do choro.
  • Prolactina: A prolactina também produzida no hipotálamo, é liberada no organismo da mulher para a produção do leite materno, que alimenta e cria um elo entre a mãe e o bebê. Durante alguns meses após o parto, a mãe não consegue dormir direito a noite com receio que algo aconteça com o seu bebê, isso acontece devido a uma memória ancestral que herdamos, onde os cinco sentidos da mulher ficam mais aguçados.

Sendo assim, após o nascimento do seu filho, a mãe se preocupa apenas em proteger, alimentar e agasalhar o seu filho e isso acontece de uma forma natural, como se fosse um instinto animal de uma fêmea em proteger a sua cria. E este instinto, que as pessoas acham ser inexplicável, é totalmente explicável, é um instinto herdado dos nossos ancestrais, o instinto de proteção e preservação da espécie.

 Mas também é só isto? Reduzimos tudo ao biológico?

Na verdade temos uma interação entre o biológico e o cultural, a mulher terá que se tornar mãe em seu psiquismo. Pois ocorre uma mistura de sentimentos, angústias, incertezas, felicidade e plenitude sem sim. E quem já é mãe sabe que no começo o sentimento inicial é de desamparo por não saber bem como e o que fazer, sente-se angústias e dúvidas sobre amamentação, sobre o sono,  cólicas e muitas outras questões.

Então, quando nasce um filho, nasce uma mãe e nascem também os dilemas, parte destes dilemas já falamos aqui, aqui e aqui.

Ahhhhhh, mas não nasce apenas filhos, mães e dilemas, nasce o colo, o chamego, a mudança de ritmo, a ilusão de que se é mulher elástico, nasce um amor, um amor que não dá pra medir e nasce uma história que as propagandas do Dia das Mães ainda não conseguem traduzir.

Sendo assim, podemos dizer que junto com os pequeninos bebês nascem novas mães prestes a embarcar numa jornada incrível de auto-conhecimento e encantamento.