A chegada do bebê e a relação com o pet

Postado em 17 jul, 2013 - Dicas Gestantes, Dicas Mamães, Psicologia
Fonte: Google Imagens

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Com a chegada de um bebê na família sempre surgem dúvidas, como:

  • Meu filho terá alergias?
  • E se o pet morder e/ou arranhar o bebê?
  • Ainda terei tempo para o pet?
  • Meu filho pode pegar doenças do pet?

Antes que a angustia tome conta, ou que decida doar o pet… Vamos pensar um pouco, e aqui irei falar com referência ao cão, mas é valido para os outros animais.

Segundo Brandshaw (2012), “o cão tem sido nosso fiel companheiro por dezenas de milhares de anos. Hoje em dia, os cães vivem ao lado dos seres humanos em todo o planeta, com frequência como parte integrante de nossas famílias. (…) Até agora, os cães deram o melhor de si para ajustar-se às muitas mudanças e restrições que lhes impusemos, em particular a nossa expectativa de que nos acompanhem quando queremos e de que não estejam por perto quando assim desejamos.”

E mesmo assim, como descreve Brandshaw, apesar da longa convivência é enorme a quantidade de anúncios em redes sociais oferecendo um cachorro lindo, saudável, amado por todos, tratado como um membro da família até… a chegada do bebê.E claro que a maioria dos cachorros não vai ficar contente de perder o reinado pela chegada de um novo membro na matilha, principalmente porque esse novo habitante solta ruídos estranhos, dorme em um espaço novo feito para ele ou até mesmo no quarto dos “donos da matilha”, além de roubar a cena e muitas vezes fazer com que o cachorro apanhe ou seja esquecido. Mas, vamos continuar pensando na nossa relação com os cães. Em um estudo realizado nos Estados Unidos no qual foi perguntado:

“Se você fosse um náufrago e só encontrasse uma ilha deserta para sobreviver, quem gostaria que fosse seu companheiro?”
57% dos donos de animais gostariam mais de ter seus bichos a seu lado do que um ser humano. Então se você pensou em seu cachorro ou gato, não imagine que é loucura.
Tamanha paixão tem resposta. Além de ótima companhia, os animais domésticos possuem um amor incondicional. Não importa o que se faça ou diga, ele venera seu dono como ninguém. Mas não é só afeto que ele oferece. Inúmeras pesquisas apontam que cães, gatos, passarinhos, peixes e outros animais trazem benefício à saúde. Um desses estudos, publicado na revista especializada Aids Care, dos Estados Unidos, mostrou que pacientes com Aids que possuíam um animal de estimação tinham menos chance de sofrer depressão do que aqueles que não possuíam bicho algum. Mesmo quem não tem nenhuma outra doença, mas sofre de depressão, pode se beneficiar com a companhia de um bicho. “Cuidar de um cachorro é uma ocupação”, explica a psicóloga e veterinária Hannelori Fuchs, de São Paulo. “Tem que dar banho, comida e sair para passear, o que favorece um contato social. Isso tudo ajuda a sair da apatia”, completa. (2000, Rossi, A. Revista Isto É)

Dotti (2005) afirma que algumas pesquisas realizadas com pais de crianças que possuíram animais de companhia em sua infância apontam que as atitudes das crianças se tornaram mais intensas em relação à responsabilidade, sensibilidade e senso de comunicação com outras pessoas. Os aspectos como de cooperação, organização e de companhia foram identificados, facilitando o contanto com outras crianças e cria um ambiente saudável para brincadeiras. Estudos recentes mostram que as crianças entre 5 e 12 anos, que possuem animais de companhia, têm mais sensibilidade e compreendem melhor os sentimentos de outras pessoas tendo mais empatia. Crianças menores desenvolvem mais rapidamente a cognição e se tornam até mais espertas, com aumento considerável em seus pontos de QI. Podem desenvolver mais rapidamente sua coordenação motora, campo visual e sua inter-relação com o mundo exterior.

Bem, se temos tanto benefícios com a convivência com cães porque temer a chegada do bebê?

A relação no início pode ser um pouco conturbada, o novo membro da matilha e o cão vão se estranhar, mas logo vão se tornar grandes companheiros. E como o início da relação entre o cão e o bebê vai depender muito do comportamento dos pais e da preparação para as possíveis mudanças na rotina do animal.

Normalmente o recém-nascido irá atrair boa parte das atenções que antes eram destinadas ao cão, e estes fazem a associação da perda de atenção e carinho com a chegada do recém-nascido, motivo suficiente para que o cão não goste da criança. Mesmo que não ocorra a associação, se o cão sentir que o interesse por ele diminuiu bruscamente, poderá ficar inseguro e ansioso e desenvolver problemas de comportamento.

O ideal então, é que a preparação do cão ocorra antes do bebê chegar, procurando prever as mudanças que ocorrerão e tentando adaptar o cão a elas, gradativamente. Alterações radicais costumam ser as mais estressantes.

Fonte: Google Imagens

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Devemos lembrar sempre que o cão é um animal social e com isto, pode temer ser expulso por causa da chegada de um novo membro da matilha, pois depende dos companheiros para sobreviver. Por isso, o cachorro costuma se manter muito atento, observando como os outros agem e como fica a situação dele à medida que novos fatos acontecem.

Sendo assim, a redução planejada e gradual da atenção, carinho e o espaço físico é a melhor maneira do cão se adaptar bem, porque lhe permite perceber que continua a ser amado por quem sempre cuidou dele e, portanto, a sua posição de membro do grupo continua garantida. Neste processo é provável que os futuros pais sintam-se mais seguros com ajuda de profissionais em comportamento animal. Busque sempre os profissionais que trabalham com técnicas pautadas na psicologia comportamental e etologia.

E se você pensa que seu cão pode ser uma ameaça em potencial à saúde da gestante ou do bebê, converse com o médico veterinário e irá descobrirá que, ao contrário que as pessoas imaginam, a convivência com animais de estimação em nada compromete esse período tão especial da vida da família. Desde que o animal esteja vacinado, vermifugado e tenha assistência veterinária. Quanto a famosa “alergia a bichos” não tem a ver exatamente com o pelo, mas muito mais com o ácaro, encontrado em vários lugares além da pele do nosso animais, como no colchão, sofá, etc.

A relação das crianças com animais de estimação são sempre uma dupla infalível, os bichinhos são companheiros, estimulam a afetividade, a responsabilidade e o respeito pelo outro. Esta relação é tão benéfica que é estudada de forma científica e disso resultou as intervenções de Terapia Assistida por Animais e Atividade Assistida por Animais.

O termo Terapia Assistida por Animais (TAA), do inglês Animal Assisted Therapy (AAT), foi proposto pela organização americana Delta Society, entidade referência para a implantação de programas de TAA. A proposta da TAA, portanto, é promover a saúde física, social, emocional e/ou funções cognitivas.

A Atividade Assistida por Animais e a Terapia Assistida por Animais foram desenvolvidas a partir de estudos científicos que demonstram que o simples contato com um animal já é suficiente para promover bem-estar. Alguns benefícios da A/TAA já foram comprovados, como a diminuição da pressão sanguínea e cardíaca, e melhora do sistema imunológico, da capacidade motora e da auto-estima. A A/TAA também estimula a interação social e tem uma ação calmante e antidepressiva, o que resulta, em alguns casos, na redução da quantidade de medicamentos.

A A/TAA oferece oportunidades para o desenvolvimento de benefícios motivacionais, educacionais, recreacionais, e/ou terapêuticos no intuito de melhorar a qualidade de vida.

Os benefícios comprovados:
  •     Exercícios e estímulos variados relativos à motricidade
  •     Estabilização da pressão arterial e reações químicas positivas
  •     Afastamento do estado de dor
  •     Encorajamento das funções da fala
  •     Estímulo à memória
  •     Recreação, diversão e afastamento do isolamento
  •     Oportunidade de comunicação e sentido de convivência
  •     Diminuição da  depressão e medicação psicotrópica e analgésica
  •     Facilitação da socialização e integração.
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Johannes Odendaal (1999), após estudar a base fisiológica da eficácia da terapia mediada por animais, concluiu que as substâncias bioquímicas positivas aumentavam de maneira expressiva em pessoas sendo demonstrado no estudo pelo fato dos hormônios e neuropeptídeos afluírem em doses maciças para os sistemas nervosos.

Alterações na química do cérebro influenciam sentimentos, pensamentos e atitudes. Compostos bioquímicos como a feniletalamina, dopamina, beta-endorfina, prolactina e oxitocina são substâncias naturais que aumentam na corrente sanguínea quando há uma interação homem-animal, transmitindo sentimentos de satisfação, confiança, serenidade, felicidade, zelo e amor (Becker, 2003).

Para isso, basta uma interação positiva de quinze minutos, que acarretará essa alteração hormonal, propiciando uma sensação de bem-estar, além, também, de diminuir o cortisol, que é o hormônio do estresse. Há, assim, uma alteração química no organismo, onde endorfinas são produzidas pelo sistema imunológico (Odendaal; Lehmann, 2001).

De acordo com Levinson (1964 apud Althausen, 2006) a relação de uma criança em atividade lúdica com um animal tem a vantagem de proporcionar a oportunidade de se expressar livremente, pois diferente da relação com objetos inanimados, a criança pode conceber o animal como sendo parte dela mesma ou parte de sua família. Os animais estariam portanto, atuando como aliados psicoterapêuticos, sendo “agentes catalisadores”.


Pensando em todos os benefícios que um animal pode proporcionar, inclusive o incentivo à leitura, deixo a indicação de alguns livros.

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Para as crianças que querem um cãozinho ou já tem um, mas não sabem como educar, indico Meu irmão, o cão de Alexandre Rossi e Regina Motta, Editora GERMINAL 


Vira Lata_6c1f05546d0e559d97c849469e7406fdPara abordar temáticas como amor, amizade e elevação da auto-estima indico Vira-lata de Stephen Michel King da editora Brinque-Book. Este livro aborda a temática dos sentimentos de solidariedade, compaixão e de amor que as pessoas deveriam ter com os indivíduos e também com os animais. Stephen Michael King mostra aos leitores que, assim como o cão, muitas pessoas não possuem abrigo, comida e família. Vira-Lata reflete a situação dos desabrigados e pode ser uma abertura para as discussões sobre a situação desses indivíduos e a importância de se pertencer a uma família.
 
 
Para os adultos fica a dica de dois livros:
 
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Fonte: Google Imagens

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Para finalizar, mas não menos importante… Lembrem!!! Animal não é brinquedo e por isso não pode ser jogado fora depois. Ao levar um animal para sua casa pesquise sobre como cuidar, quais os custos para mantê-lo.
Os cães foram capazes de nos aceitar em seu mundo e aprenderam a fazer parte de nossas famílias. (Tomás Szpigel)
Enfim, curta muito a gestação, o bebê e todos seus momentos, porque eles crescem rápido demais e não é possível voltar no tempo.