Alguns aspectos psicológicos da gravidez

Postado em 16 jan, 2014 - Dicas Gestantes, Psicologia
Fonte: http://www.sxc.hu/

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Podemos observar a crescente necessidade de compreender os aspectos psicológicos que permeiam o período grávido-puerperal, principalmente quando pensamos aos aspectos e esforços no relacionados à humanização do parto. Neste ponto, nem sempre a mulher grávida é compreendida, ao apresentar por exemplo sono em demasia, vontades incontroláveis de comer certos tipos de alimentos ou baixa auto-estima. 

Ao se pensar nesses aspectos psicológicos e contextualizá-los a uma prática de atendimento clínico, constrói-se uma referência que permite a reflexão e a reconstrução do conhecimento para os profissionais da área. A gravidez é um período de grandes transformações físicas e emocionais que exigem uma resposta adaptativa por parte da gestante e, consequentemente, das pessoas mais próximas a ela. Sendo, portanto, um momento de importantes reestruturações na vida da mulher e nos papéis que esta exerce.

É durante esse período que a mulher tem que passar da condição de só filha para a de também mãe além de ter de reajustar seu relacionamento conjugal, sua situação socioeconômica e suas atividades profissionais. Todas estas mudanças são mais impactantes durante a primeira gestação. Vários autores compreendem a gestação como um momento de preparação psicológica para a maternidade, no qual se está constituindo a maternidade.

Por ser o período mais rico e intenso de vivências emocionais e que por si só traz, para o relacionamento familiar, novas atitudes e responsabilidades,, além da forte influência dos hormônios sobre o psiquismo da gestante, outros fatores como características individuais e de personalidade, o momento de vida em que ocorreu a gravidez, se esta foi planejada ou não, a qualidade do relacionamento conjugal ou com o pai do bebê e o apoio familiar, são determinantes na maneira e intensidade como ela irá sentir todo este processo.

Do ponto de vista hormonal, a progesterona, os corticosteróides e as catecolaminas exercem efeito sobre o comportamento introspectivo e sobre as oscilações entre depressão e euforia bastante comuns durante a gestação. Sendo assim, alguns sentimentos são descritos pelas gestantes com angústia e ansiedade. A ambivalência afetiva é caracterizada muitas vezes por períodos de alegria e motivação, intercalados com momentos depressivos e de desânimo. Dúvidas quanto ao querer e não querer estar grávida, momentos de irritação e forte sensibilidade algumas vezes chegam a assustar a própria gestante e seu cônjuge.

 A gestação portanto, pode ser compreendido como um período de transição nos qual há transformações, não só no organismo da mulher, mas no seu bem-estar, alterando seu psiquismo e o seu papel sócio-familiar. Esse período é a fase de maior incidência de transtornos psíquicos na mulher, chegando haver cerca de 10 a 15% de depressão pós-parto em vários países. E os fatores psicológicos podem acarretar complicações durante a gestação, o parto e o puerpério, bem como para o concepto. Particularmente, esses fatores podem ser o estresse vivencial e ansiedade, atuando principalmente durante a gravidez.

Contudo, vale ressaltar que todos estes sentimentos, tantos os positivos quanto os negativos, com relação à gravidez são naturais em certa medida. É uma fase delicada  que pode representar uma oportunidade única de desenvolvimento emocional e fortalecimento de vínculo entre o casal. O apoio de pessoas queridas e de profissionais aptos a prestar orientações à gestante e seu cônjuge podem ajudar na compreensão e aceitação deste processo.