A “barriga de grávida” no pós-parto da duquesa de Cambridge, Kate Middleton: É normal!!

Postado em 24 jul, 2013 - Dicas Gestantes, Dicas Mamães
Fonte: Lefteris Pitarakis/AP

Fonte: Lefteris Pitarakis/AP

Ontem após a apresentação do pequeno royal baby boy, o que mais se viu nas redes sociais foram comentários a respeito da barriga de Kate Middleton. E todo este alvoroço deve-se ao fato de que estamos acostumados a ver “celebridades” saírem da maternidade com a barriga em forma e exibindo um corpo de dar inveja a muitas “mortais”… Bem, o normal é que a mulher após o parto pareça mesmo que continua grávida, o útero se mantém grande.

A duquesa de Cambridge apresentou uma barriga real em todos os sentidos.  A barriga de uma representante da família Real e uma foto real de pós parto, a barriga que as mulheres apresentam após ter um bebê.

O que pôde-se ver ontem em milhares de fotos que foram divulgadas, foi nada mais do que a beleza do corpo feminino após o parto. A maternidade deixa marcas, foram 9 meses para crescer e em seguida o útero encontra-se vazio, mas não em seu tamanho de 9 meses atras, os órgãos estão fora de lugar.

Sendo assim, o útero irá demorar cerca de 30 a 40 dias para voltar ao normal, pois vai passar por um processo de involução a cada dia. A redução do útero é de aproximadamente 1cm por dia. O  processo de amamentação também contribui para esta redução do útero, pois quando a mulher amamenta, produz mais ocitocina, que facilita essa contração, para o útero possa voltar às condições pré-gestacionais.  Esta volta do útero ao tamanho pré-gestacional é um processo natural, fisiológico e que deve ser respeitado.

Além de mostrar o normal do corpo no pós parto, que em alguns casos chegou a chocar pelos comentários que vi nas redes sociais, a chegada do royal baby boy pode ter uma outra utilidade pública no que diz respeito à opção do tipo de parto. A duquesa de Cambridge, Kate Middleton, deu à luz após 11 horas de trabalho de parto. A informação é relevante pois é a pista sobre o motivo de tantas cesariana desnecessárias.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação para cesárias é de apenas 15%,  e se pensarmos nos dados referentes ao Brasil a porcentagem chega a assustadores 80% se levarmos em consideração os partos realizados em hospitais particulares,  já no SUS este número é de cerca de 40%.

Os benefícios do parto normal são inúmeros, tanto para a mãe como para seu bebê. Vão desde uma melhor recuperação da mulher e redução dos riscos de infecção hospitalar até uma incidência menor de desconforto respiratório do bebê.

Por fim, temos que constatar que a maternidade deixa marcas na alma, na personalidade, na vida familiar e profissional. Por que então, não aceitar as marcas do corpo dos processos vividos profundamente?

Aproveito para deixa como referência o projeto de  Jade Beall A beautiful body project e a reportagem publicada pela BBC

 

Projeto de fotógrafa quer ajudar mulheres a aceitar marcas do pós-parto

Cordelia Hebblethwaite

BBC World Service

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“Muitas mulheres ficam com cicatrizes, estrias e flacidez da pele após um parto. É uma realidade que as próprias mulheres muitas vezes tentam esconder e a mídia nunca quer mostrar. Mas uma fotógrafa está na missão de redefinir o conceito do copo da mulher bonita.

Nicole

Jade Beall, que mora no Arizona, nos Estados Unidos, um dia entrou em seu estúdio com seu bebê de cinco semanas de idade, tirou a roupa, e fez uma série de fotos.

Era um corpo que ela não conhecia. Era um formato de corpo que ela nunca tinha tido antes da gravidez. E ela não gostou muito do que viu.

Mas Beall decidiu publicar as fotos em seu blog de fotografia, com o intuito de compartilhar um outro lado da maternidade, que não costuma ser mostrado.

A mídia está cheia de imagens de corpos femininos. Mas não desses tipos de corpos. “Tantas pessoas me dizem, ‘Oh, eu nunca vi um corpo como esse”, diz Beall.

“Não quero que as pessoas achem as minhas fotos de mau gosto. Quero que elas olhem e digam, ‘Oh, isso é uma mulher extremamente humana, ou, essa é uma mulher que tem cicatrizes e linhas com histórias para contar.”

“Meu objetivo é ajudar essas mães a se sentirem dignas de serem chamadas de belas,” concluiu Beall.

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‘A Beautiful Body’

Logo depois, Beall postou uma foto no Facebook do estômago suavemente flácido de uma amiga, com seus dois filhos aninhados.

A foto se tornou um viral. Começaram a chover e-mails, e centenas de mulheres escreveram para dizer que também queriam fotos tiradas do corpo pós-gravidez.

Beall já fotografou mais de 70 mães que irão aparecer no livro A Beautiful Body (“Um Belo Corpo”, em tradução livre), que deve ser lançado em janeiro. Ela não usou maquiadores, e não há nenhum tipo de retoque nas fotos.

“Quando ela me enviou as primeiras imagens após a sessão de fotos, eu lembro de ter suado frio”, diz Nicole Meade, uma das mulheres que se voluntariaram para ser fotografada.

A maioria das mulheres que participaram têm vergonha de seus corpos, e Meade não é exceção.

Desde que teve seu primeiro filho, ela tentou esconder a barriga. Ir para a praia de biquíni estava fora de questão.

Aterrorizada, mas determinada a assumir o desafio, Meade levou seus três filhos para a sessão de fotos, e quis que eles participassem.

“Perguntei aos meninos, e a reação deles foi, ‘qual é o sentido disso?’ E eu disse que eles estariam fazendo isso por todas as suas primas, e meninas que um dia eles viriam a namorar, ou casar, e por suas próprias filhas – porque não há nenhum registro desse tipo por aí “, diz ela.

“Eu gosto da ideia de que meus filhos vão ter uma noção real de como o corpo de suas esposas vão ficar depois que elas tiverem filhos. Não deve haver nada chocante ou perturbador sobre uma imagem como essa”, diz Meade.

Realidade distorcida

 

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Quando Demi Moore posou nua com sua enorme barriga de grávida, na capa da revista Vanity Fair, em 1991, foi visto como um divisor de águas.

Desde então sessões de fotos de grávidas tornaram-se bastante populares entre as mulheres em geral. Mas é uma história muito diferente para as mulheres após o parto, diz a socióloga Meredith Nash.

“Na cultura popular, apenas as histórias de celebridades que recuperaram o corpo rapidamente após o parto são retratadas,” diz ela.

Esta é uma visão irreal e distorcida da realidade para muitas mulheres – que podem nunca conseguir recuperar seus corpos pré-gravidez.

Beall acredita que se uma celebridade fizesse algo como a Demi Moore fez, mas para mulheres após a gravidez, atitudes poderiam começar a mudar.

“Se alguma mulher famosa quiser entrar em contato comigo, ficarei muito feliz em responder!” Beall ri, acrescentando que ainda está recrutando voluntárias.

Mas Max Vadukul, um fotógrafo baseado em Nova York, que trabalhou para a revista Vogue, não espera ver uma imagem como essa na capa de um revista tão cedo.

“O impulso para retocar uma imagem é algo que a maioria dos fotógrafos e editores de revistas simplesmente não conseguem resistir,” diz Vadukul.

E fazer com que modelos e celebridades aceitem ser fotografadas com suas estrias a mostra seria algo muito difícil, já que seus trabalhos, e toda a indústria ao redor delas, giram em torno do conceito de perfeição.

Nova autoestima

Para alguns, a ideia de que as estrias são belas, é algo muito distante.

Beall diz que muitas de suas clientes, à primeira vista, não gostam das imagens, e focam no que elas veem como áreas problemáticas — um foco de gordura, uma ruga, uma estria.

Mas ela diz que quanto mais elas olham, mais elas começam a enxergar a beleza das imagens.

Christina Berry, que participou do livro, diz que ela sempre lutou para aceitar seu corpo, mas a sessão de fotos deixou ela com uma nova confiança.

“Ainda é um trabalho em andamento. Eu não vou dizer que todos os dias eu me sinto 100% a mais sexy e mais confiante”, diz Berry.

“Mas eu lembro o que eu fiz e vou ver as fotos, e penso ‘Uau, eu sou linda!”

O marido de Berry, Chris, diz que os homens tendem a ter conversas superficiais entre si sobre a maneira como os corpos de suas parceiras mudam, ou podem mudar, após a gravidez – e são, normalmente, despreparados para a realidade.

“Vendo as fotos dela, e depois as fotos de outras mulheres, pensei: “Cara, como eu posso não reconhecer o que é real e importante quando se trata da aparência física da minha mulher. “

“Eu nunca vou passar pelo o que ela passou para ter essas marcas, e por isso nunca vou precisar lidar com isso, e ela sim.”, diz Chris.

“Eu acho que essas mulheres são poderosas. Acho que minha mulher é incrível, e eu acho que isso era algo que eu precisava ver e precisava entender. E eu espero que as imagens continuem a fazer isso por outros homens,” concluiu Chris.

O projeto de Beall teve um grande apoio no site de financiamento coletivo Kickstarter – mais de mil pessoas apoiaram, e Beall levantou quase três vezes o valor que ela estava procurando.

E ela conseguiu outra vitória. Quando, no outro dia, procurou no Google por “corpo bonito”, ela teve uma grande surpresa.

“Minhas imagens em preto e branco estavam por toda parte, junto com todas aquelas fotos retocadas. Foi como, ‘Oh meu Deus, isso está acontecendo!”, contou Beall.”